O que nos diz os dez anos de crônicas de Corção.
Mais do que mostrar o que pensa, Gustavo Corção demonstra quem é nessas crônicas publicadas entre os anos de 1946 a 1956: das crônicas que relatam as suas relações com outras figuras da época, como é o exemplo de “Encontros com Osvald de Adrande”, observamos o quão caridoso nas amizades, no mais autêntico sentido dessa palavra, ele era (ao ponto de Nelson Rodrigues sentenciar “Tudo em Corção é amor” e de Ariano Suassuna dizer que tinha uma relação paternal com Corção); um ardoroso crítico que não receava em criticar os poderosos, como na crônica repudiando a nomeação de chateaubriand à ABL; um homem extremamente erudito que sabia conhecer os verdadeiros pensadores, como Leon Bloy, Georges Bernanos e Ortega y Gasset; etc. Enfim, vale a pena ler este livro para conhecer o quão grande foi esse escritor tão esquecido hoje.

