Espinosa -

    André Scala

    Estação liberdade
    2003
    131 páginas
    4h 22m
    ISBN-10: 8574480800
    Português Brasileiro

    “A força da filosofia de Espinosa está em ter entristecido a alegria dos tiranos e teólogos.” A frase de André Scala mostra bem porque, em seu tempo, o judeu Baruch Espinosa (1632-1677) – um “cartesiano imoderado”, segundo Leibniz – foi chamado de ateu, ímpio, infame; e porque, acusado de horríveis heresias e atos monstruosos, foi excomungado pela comunidade de seu povo; e porque, apesar da excomunhão judaica, as portas cristãs não se abriram para ele. Os poderosos não gostam que se lhes anuvie o riso, diz o mesmo Scala, “as religiões sempre se reconciliam pelas costas daqueles que uma delas baniu”. Este livro, dividido em capítulos que são verdadeiras introduções a cada grande obra de Espinosa (Tratado da emenda do intelecto, Princípios da filosofia de René Descartes, Tratado teológico-político e Ética), mostra como o filho de um comerciante de Amsterdã se tornou filósofo e de que forma ele fez filosofia, apesar de todos os obstáculos: pregando a completa liberdade de pensamento e de prática religiosa, atacando a superstição, desvelando os artifícios do poder para conseguir a servidão e a obediência, e defendendo a idéia de que nosso principal objetivo é levar uma vida terrena plena e prazerosa.

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    Bruno de Oliveira picture
    Bruno de Oliveira17/11/2012Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Eu esperava um livro mais simples já que ele pretende introduzir o filósofo aos leitores não iniciados. Pelo que vi até agora, esse é um mal de vários autores com a mesma pretensão. Seja como for, gostei desse trabalho que faz questão de não ser uma exposição vulgar do holandês. Ele traz algumas discussões bem legais que as introduções ao Espinosa minimizam, como a tomada de decisão colocada no começo do Tratado da emenda, por exemplo. É mais comum que ele seja apresentado pelo que tem de mais visivelmente original - asselhar deus a natureza, ausência de moral objetiva, crítica a teologia, etc - do que por aquilo que só é notado como original a partir de uma leitura atenta. Penso que, para a finalidade do livro, talvez uma discussão menos aprofundada em certos aspectos (ele dedica um espaço enorme para a discussão da síntese e da análise na filosofia de Espinosa e Descartes) seria mais conveniente a uma apresentação que o modo como o autor o coloca. O livro acaba sendo bom para quem já tem alguma ideia de quem é Espinosa e o está estudando, mas confuso para alguém sem tanto conhecimento de filosofia.

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