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    Contos reunidos -

    João Antônio

    Cosac Naify
    2012
    608 páginas
    20h 16m
    ISBN-13: 9788540502680
    Português Brasileiro
    4.5
    25 avaliações
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    Desde sua estréia, em 1963, com Malagueta, Perus e Bacanaço, João Antônio (1937-1996) conquistou um espaço próprio na literatura brasileira. Sua prosa afiada deu voz a personagens que não costumavam frequentá-la: o malandro, o menino de rua, a prostituta, o leão-de-chácara, o flanelinha, o informante da polícia e o traficante, quase todos em primeira pessoa. Como bem resumiu o crítico Antonio Candido: "João Antônio faz para as esferas malditas da sociedade urbana o que Guimarães Rosa fez para o mundo do sertão, isto é, elabora uma linguagem que parece brotar espontaneamente do meio em que é usada, mas na verdade se torna língua geral dos homens, por ser fruto de uma estilização eficiente". Para conseguir isso, ele foi não apenas um observador agudo mas um conhecedor apaixonado, que misturou a própria vida nos ambientes em que viviam seus personagens, do botequim à zona do meretrício, da estação de subúrbio ao cais do porto, do salão de sinuca à favela. Este volume recolhe pela primeira vez todos os contos publicados em livro pelo próprio autor, abrangendo o arco que se inicia com Malagueta, Perus e Bacanaço (1963), passa por Leão de chácara (1975), Dedo-duro (1982), Abraçado ao meu rancor (1986) e termina em Um herói sem paradeiro (1993). A esse conjunto, somam-se dois contos dispersos e um inédito. Um preso, de 1954, foi publicado no jornal O Tempo e pode ser considerado a estreia literária do autor, pois nele já se percebe o tom que marcaria sua obra. Bolo na garganta fez parte da coletânea Meninão do caixote (1983). O inédito A um palmo acima dos joelhos foi encontrado praticamente sem retoques entre os papéis do autor no arquivo da família e narra a primeira vivência amorosa de um menino. Completam o volume uma antologia de textos críticos sobre a obra de João Antônio, com textos assinados por Antônio Candido, Jorge Amado, Paulo Rónai, Alfredo Bosi e Tânia Macedo. O projeto gráfico foi criado a partir de um conjunto de documentos que fazem parte do arquivo ao autor: manuscritos, bilhetes de loteria e anotações em versos de maços de cigarro, característica muito própria desse arquivo. Como encarte, o vocabulário das ruas recolhido por João Antônio, um fac-simile de original encontrado no arquivo de João Antônio: uma caderneta de endereços e telefones em que o autor registrava gírias e expressões que ouvia em suas andanças pelos ambientes que frequentou.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Josemara Souza da Silva picture
    Josemara Souza da Silva01/05/2024Resenhou um livro
    3.5 (Bom)

    Urbano e periférico

    Assim como Guimarães Rosa descreveu o sertanejo, suas lutas, suas crenças e seus infortúnios, João Antônio lança mão do mesmo recurso para descrever malandros, prostitutas, operários, marginais e marginalizados. São contos que se passam nos centros e favelas de São Paulo e Rio de Janeiro. O leitor passeia pelas mesas de sinuca, prostíbulos, bares, metrôs, ônibus... Também se passeia pela linguagem periférica, onde o que predomina são as gírias dos malandros e trabalhadores. Num geral eu gostei dos contos, algum e outro que não me pegaram mas a maioria deles a gente entende e até se identifica. Senti dificuldade nas cenas dos jogos de sinuca já que não entendo nada mas num contexto geral da pra entender o que se passa ali. Recomendo a leitura.

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    João Antônio Ferreira Filho profile picture

    João Antônio Ferreira Filho

    Nascido de uma família pobre, no subúrbio de Presidente Altino, em São Paulo, deixou uma obra marcada pela extrema habilidade com que elaborou literariamente a linguagem nas cidades brasileiras. Ao longo dos anos 1970 e 80, destacou-se também como jornalista, tendo sido um dos pioneiros do Novo Jornalismo no país, e atuando intensamente na chamada Imprensa Alternativa, ou como ele dizia, "nanica".

    20 Livros
    35 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    João Antônio Ferreira Filho