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    O Inferno Atrás da Pia -

    Antonio Prata

    Objetiva
    2004
    107 páginas
    3h 34m
    ISBN-10: 8573026472
    Português Brasileiro
    3.9
    52 avaliações
    Leram93Lendo0Querem48Relendo0Abandonos1Resenhas1
    Favoritos8Desejados48Avaliaram52

    O Inferno Atrás da Pia reúne 19 contos, sem contar o prefácio e "a dedicatória sem nenhuma pretensão". Dá pra ler no banheiro, no ônibus, na cama, na praia. São textos cômicos-filosóficos com direito até a um "livre tratado sobre semiótica experimental". Nos contos selecionados aqui, Antonio associa o culto ao deboche com uma peculiar aptidão para olhar tudo, sem pressa ou juízo de valor. Existem momentos em que a leitura proporciona situações impagáveis como em "Melda!" quando uma simples festinha de aniversário de criança pode acabar se tornando palco do desvirginamento de um adolescente fã de heavy metal. O autor também se mostra à vontade ao brincar com o inverossímil: no conto "O Esquema Pesque & Pague" autores do calibre de Rubem Fonseca, João Ubaldo Ribeiro, Millôr Fernandes e Luís Fernando Veríssimo, são descobertos numa fraude literária. "Sentou no chiuaua e foi ao cinema" apresenta o único ser humano protagonista de todas as lendas urbanas existentes.

    Resenhas (1)Ver mais
    Tiago Germano picture
    Tiago Germano14/06/2019Resenhou um livro
    2 (Razoável)

    Ajustando os parafusos

    "O Inferno Atrás da Pia" é um dos primeiros livros de Antonio Prata, um dos principais representantes da nova geração da crônica brasileira. Com textos esparsos, publicados em revistas, a coletânea não possui a unidade que mais tarde irá caracterizar alguns títulos do autor (como o ótimo "Nu de Botas"), sendo o humor o elo entre os textos que versam sobre temas variados, sendo alguns mais próximos do conto, outros da crônica. São desta primeira vertente quatro das melhores peças do conjunto: “Parada” é o fluxo de consciência de um menino, encarregado de tocar os pratos de uma orquestra infantil num desfile. O conto destaca-se pela linguagem ingênua calcada na timidez do garoto, ciente de seu papel insignificante na orquestra; “Claudomiro continua contando” narra a alucinante biografia de um sujeito que tem uma mania esdrúxula: contar todas as coisas que já viu, dos objetos ao seu redor aos bueiros do bairro onde mora; “O Aleph da Vila Madalena” é uma paródia do conto de Borges, ambientada na tradicional Mercearia São Pedro, em São Paulo, tendo os seus donos como personagens; e “Melda!” é o “drama em um ato” de uma festa infantil, protagonizada por um adolescente metaleiro que acabou de ingerir um ácido e uma atriz que, pela falta de dinheiro, se vê obrigada a fazer um bico fantasiada de Cebolinha na festa. Ao flertar com a crônica, seu domínio particular, Prata se sente à vontade para brincar com o leitor, se colocando como personagem das narrativas (como na crônica que batiza o livro) e tornando conhecidos seus e do público como personagens. Na crônica “O esquema Pesque & Pague”, vemos um complô entre escritores (quase todos cronistas, da geração anterior de Prata, como Millôr Fernandes, Veríssimo e Ignácio Loyola Brandão) que, para diversão do grupo, passam a escrever textos de baixa literatura em revistas do segundo escalão da imprensa. No todo, o livro é marcado pela fluidez de Prata, seu modo de escrever simples e cativante. Porém, a mesma despretensão que, numa revista, soa como alívio cômico, no livro, beira a vaguidão e a falta de objetivo, tingindo as páginas de casos inexpressivos ocultos sob a falta de rigor do gênero no qual o autor é especialista (certos textos como “Sentou no chiuaua e foi ao cinema”, “Édipo S.A.”, “El tomba-vacas” e “Fora de série” são perfeitamente dispensáveis). O registro de um cronista em formação, familiarizando-se ainda com suas ferramentas e ajustando seus parafusos.

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    3.9 / 52
    • 5 estrelas35%
    • 4 estrelas29%
    • 3 estrelas27%
    • 2 estrelas6%
    • 1 estrelas4%
    Antonio Prata profile picture

    Antonio Prata

    Filho de escritor, escritorzinho é. Nem sempre. Antonio Prata, filho do conhecido escritor Mario Prata, tem tanta competência literária quanto o pai. Não deve ser difícil encontrar quem ache mais legal o texto do Antonio quando comparado ao texto do Mario. Principalmente as leitoras que, durante alguns anos, puderam acompanhar as crônicas de Antonio Prata estampadas nas edições da revista Capricho. Hoje, Antonio Prata é cronista do Estadão e mantém um blog no site do jornal. (por Wilame Prado)

    19 Livros
    132 Seguidores
    São Paulo, Brasil

    Antonio Prata