Ubirajara (Coleção Saraiva #108) - Lenda Tupi

    José de Alencar

    Edições Saraiva, (SP)
    1957
    164 páginas
    5h 28m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    O jovem caçador araguaia, Jaguarê, procura em terras alheias um inimigo para desafiar e combater. Levando um prisioneiro para sua taba ele conseguirá seu título de guerreiro. Ao contrário do que esperava, encontra uma índia tocantim, filha do chefe, de nome Araci. Ela diz que em sua nação há cem guerreiros que vão disputar seu amor. Jaguarê é convidado a alistar-se entre eles, mas prefere dizer à virgem que mande todos seus pretendentes para combatê-lo. Após a partida de Araci, aparece um índio tocantim, Pojucã, que aceita o desafio de Jaguarê. O índio araguaia vence e aprisiona o guerreiro tocantim com sua lança, intitulando-se a partir de então, Ubirajara, o senhor da lança. Ubirajara deixa o prisioneiro em sua taba, dando-lhe como esposa do túmulo a jovem Jandira, que até aquele instante era sua noiva. Em seguida, parte o guerreiro para a nação dos tocantins. Jandira não aceita ser esposa de outro que não Ubirajara e foge para a floresta. Ubirajara chega à taba de Araci e, como a lei da hospitalidade permite, não se identifica, adotando o nome de Jurandir, o que veio trazido pela luz. Compete com os demais e ganha o direito de casar-se com Araci, mas antes da noite nupcial é obrigado a identificar-se. Cria-se uma situação constrangedora, pois seu prisioneiro é irmão de Araci. Declara-se a guerra. Ubirajara liberta Pojucã para que possa lutar ao lado de seu povo. Quando os araguaias vão atacar, surgem os tapuias que, por justiça, têm o direito de guerrear antes dos araguaias, que devem esperar. O chefe dos tocantins, Itaquê, vence o chefe tapuia, mas fica cego, não podendo liderar seu povo. Para sucedê-lo, os guerreiros devem dobrar seu arco e atirar como ele. Como os guerreiros de seu próprio povo não conseguem, convidam Ubirajara a fazê-lo. O guerreiro araguaia, genro de Itaquê, consegue com tal destreza e força que emociona o velho Itaquê. Assim, Ubirajara une os dois arcos e as duas nações, araguaia e tocantim, dando origem à grande nação ubirajara. Como prêmio, ganha também duas esposas: Araci e Jandira.

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    Clio picture
    Clio21/09/2021Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Ubijara não é um épico, mas poderia ser. A escrita de Alencar, romântica e rebuscada, é um verdadeiro trabalho de artesão na formação de cada sentença que traz a história de amor e guerra do cacique dos Araguaias. O enredo é aquele que se tornaria clássico nos livros do gênero: Um guerreiro derrota um adversário em batalham, mas se apaixona pela irmã do mesmo e decide se infiltrar na aldeia rival para poder cortejá-la. Achou conhecido? Talvez se lembre porque é uma variação do poema de Camões "Sete anos de pastor Jacob servia / Labão, pai de Raquel, serrana bela; / mas não servia ao pai, servia a ela, / e a ela só por prémio pretendia." Essa obra fecha o ciclo indígena do autor - com O Guarani e Iracema - mas, não deve ser confundido com uma trilogia. Elas não são interligadas e nem precisam ser lidas em sequência.

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