Quem aqui nunca riu da desgraça alheia? Não venha me olhar com essa cara feia, que já fez isso sim, nem se for meio escondido, com a mão desavergonhadamente no meio da cara. A gente faz piada da política, do vizinho, da desgraça alheia e até da sua. Não sei se é porque somos retrógrados demais ou rimos para não chorarmos.
Bom, o caso é que nunca tinha visto isso num livro; sabe? Até que conheci um livro que mostra para a gente um personagem tão divertido numa situação tão desgraçada que não pude deixar de rir (com certo grau de culpa, assumo). O personagem é o Boy Hernandez. O livro, Nada além da verdade (Tordesilhas, 310 páginas).
Bom, a questão é que o boy, um filipino cheio de glamour e elegância (e muitas ideias fashions na cabeça) chega a Nova York, a meca das oportunidades, para se realizar como estilista. O rapaz tem faro para a coisa e promete se tornar o queridinho da alta costura, se não fosse enviado para a prisão de Guantánamo. O quê? Rebobina a fita... Isso mesmo, o mocinho, por se envolver com Ahmed, é levado como suspeito de terrorismo!
Assim ele vê a verdade do sonho americano. Uma cela pequena, suja, escura e xexelenta onde, entre acusações falsas, mentiras deslavadas, torturas e acusações sem noção, começa a escrever um diário (que a gente lê em primeira mão, no ato da escrita!).
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