LINK DA RESENHA: http://www.segredosemlivros.com/2013/03/resenha-uma-questao-de-confianca-louise.html
Resenha:
Surpreendente. Essa é, sem dúvida nenhuma, a melhor palavra para definir “Uma Questão de Confiança, da autora Louise Millar, publicado no Brasil pela Editora Novo Conceito. É o tipo de história que te faz pensar ser algo totalmente diferente do que realmente é. E por outro lado, a trama segue de maneira inconstante e perturbadora. Até o meio da história, você pensa que sabe o que está acontecendo, mas com o decorrer da trama, enfim começa a perceber que nem tudo parece ser o que é. E ai quando o leitor descobre o que de fato acontece, e quem são os verdadeiros “culpados”, a narrativa não fica nem um pouco tediosa, nem tampouco cansativa, pelo contrário, te faz querer ir até o final deste desfecho intenso e revelador.
“Uma questão de Confiança” se passa em um lugar tranquilo e conservador, na cidade de Londres. E é nesse contexto que iremos conhecer a vida, os problemas e as perspectivas de três personagens principais, muito diferentes umas das outras. De início, somos apresentadas a Callie e Suzy, vizinhas umas das outras, e que pareciam se entender muito bem. Na verdade, Callie só contava com a sua amizade, já que, desde que mudou-se para este novo lugar com sua filha Rae, a única que as acolhera bem fora ela. Todos pareciam ter algum receio com Callie e Rae, e isso incluía até a escola onde a menina estudava. Tudo parecia tranquilo e habitual, até que uma nova moradora se juntou àquela vizinhança. Debs surgiu do nada e veio para causar muitos problemas e colocar a tona várias revelações. Desde o começo, Debs parecia ser muito estranha e paranoica, até meio depressiva. Ficava me perguntando o que poderia ter acontecido com ela e o que ela escondia de tão grave, já que a narrativa apresentava algumas pontas soltas de uma história mal contada.
“A doença de Rae nos deixou secos. Sou uma palha. Uma concha vazia. Não me admira que outras mulheres me evitem. Percebem que vou sugá-las também. Talvez Tom esteja certo. Talvez tudo esteja relacionado a mim. Eu e os meus intermináveis problemas. As mulheres percebem que preciso de tudo e que não tenho nada a oferecer em troca de amizade. Todas elas, ou melhor, menos Suzy.” Pg. 40
Aos poucos, adentramos cada vez mais na vidas dessas três famílias, e conhecemos seus conflitos pessoais e seus medos mais obscuros. Callie sempre aparentou ser a mais problemática, com uma filha que passou recentemente por uma cirurgia e enfrentou um problema cardíaco. Rae mostra ser uma menina forte, porém frágil e carente, mas acima de tudo é muito intensa, dinâmica e ativa. Callie se preocupa muito com a filha, ainda mais diante de tudo que ela passou. Callie não trabalha e é sustentada pelo pai de Rae – Tom, que trabalha longe e é muito afastado delas. Callie precisa reverter essa situação. E é pensando nisso que resolve voltar a trabalhar e conseguir novamente a sua tão sonhada estabilidade. Assim que começa a sua rotina no serviço, percebe que as coisas não vão ser fáceis e que vai demorar até ela e Rae se acostumarem. A menina precisa fazer atividades extras na escola e diante de algum imprevisto, Callie contaria com a ajuda de sua amiga para cuidar da filha. Mas será que ela pode confiar nas pessoas ao seu redor?
“Amigos de verdade perdoam, ela pensou, olhando-se no espelho do carro. Callie estava magoada e era lógico que culpasse Suzy. Tudo que Suzy tinha a fazer era estar por perto. Dando-lhe tempo e espaço para perceber que podia confiar nela de novo.” Pg. 174
Foi num dia desses que aconteceu o imprevisto e Callie precisou trabalhar até mais tarde. Ligou para Suzy e pediu para que ela buscasse a filha na escola. Ela estava tão aturdida que nem esperou por uma resposta da amiga, pois sabia que podia contar com ela. Suzy sempre pareceu compreensiva e amiga. Porém nesse dia, um de seus filhos não estava se sentindo bem e foi quando ela se lembrou de que Debs – a nova vizinha poderia trazê-la para casa já que estava trabalhando na escola e conhecia a menina. Nesse dia tudo mudou. Rae sofreu um pequeno acidente e a partir desse dia, coisas estranhas começaram a ocorrer e a cada página, um novo segredo era revelado.
“Sei que é horrível. Mas, às vezes, quando tudo fica demais, quando não consigo tirar o peso de toda essa responsabilidade, de todos esses erros que cometi, de toda a culpa, preciso de alguém que assuma o controle, só por um momento.” Pg.214
Como já falei no começo da resenha, esse foi um livro que me surpreendeu bastante e só não vou continuar a escrever mais sobre o livro, para ocasionalmente não soltar nenhum spoiler indesejado. Mas de uma coisa tenho certeza, essa é uma leitura mais que recomendável, com personagens marcantes, uma história intrigante e repleta de suspense e muitas surpresas. E fica aquela dúvida: será que podemos confiar nas pessoas ao nosso redor?
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