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    O Português São Dois -

    Rosa Virgínia Mattos e Silva

    Parábola
    2006
    151 páginas
    5h 2m
    ISBN-13: 9788588456228
    Português Brasileiro
    3.7
    9 avaliações
    Leram2Lendo4Querem3Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos2Desejados3Avaliaram9

    Se a criança de 6 anos sabe que sabe português e o jovem universitário aceita que não sabe e muitos adultos sabedores defendem esse não saber, o que está posto indica que o trabalho pedagógico para o ensino da língua portuguesa não vai pelo caminho adequado e que a escola descumpriu sua missão ― em vez de fazer aprender, faz desaprender. E é essa a situação mais frequente. Por onde recomeçar, refazer? Das inquietações da Autora, surge uma ácida censura aos descaminhos da educação no Brasil e ao desconhecimento de que "o português são dois...", se não são vários. Em meio a teorias confrontadas com a realidade, o livro conduzirá os leitores a uma nova consciência do quê e por que ensinar língua materna.

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    Ana Paula Mc Bairros12/02/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Resenha - O Português São Dois

    Rosa Virgínia Mattos e Silva é um importante nome da linguística histórica brasileira. Possui doutorado pela USP, pós-doutorado pela UFJR e é professora de língua portuguesa na Universidade Federal da Bahia. O livro aqui resenhado reúne alguns de seus artigos, publicados anteriormente em revistas, e que muitas vezes foram lidos e debatidos em congressos e simpósios da língua portuguesa. Esses artigos, transformados em dez capítulos, afirmam que deve ser dada ao falante a possibilidade de conhecer e aplicar as variadas formas de uso da língua. Muitos acreditam não "dominar a língua", principalmente os universitários e os profissionais de letras. O que não dominam, na realidade, é a norma idealizada, a norma imposta, e, muitas vezes, não estão em condições de se expressarem sobre assuntos que não conhecem, através dessa norma. Os profissionais mais conscientes sobre os problemas sociolinguísticos buscam trabalhar a partir da realidade diversificada, sem estigmatizar a variação dialetal, valorizando-a, inclusive, e desenvolvendo soluções. O desenvolvimento do ensino da língua portuguesa, segundo a sua tradição, é bastante criticada e discutida. A escola exclui traços de diferenças dialetais. Mattos e Silva incentiva uma pedagogia voltada para o todo da língua e não para algumas de suas formas, assim o indivíduo terá consciência de que sabe utilizar a língua que fala todos os dias e poderá aprender mais coisas sobre ela. No terceiro e quarto capítulo do livro, a autora reflete para a questão do ensino do português brasileiro aos povos indígenas. Há ainda a necessidade de uma política geral da educação brasileira que seja realmente eficiente, mas ela conclui que a luta pela preservação das línguas indígenas e sobrevivência das sociedades em seus territórios devem ser prioridades. Somente em seguida deve ser transmitida a língua portuguesa via escola, na medida das solicitações. Nos três capítulos seguintes são discutidos assuntos sobre o ensino da gramática, de que forma deve ser corrigido o português dos alunos e a realidade da alfabetização no Brasil. Uma vez que a escola é um instrumento para socialização do individuo, e a escrita e leitura são essenciais nas formas de comunicação para o processo de socialização, alguma “gramática” deverá ser ensinada no momento em que se considerar necessário regular a fala e escrita do aluno aos padrões de uso. Nas primeiras séries escolares devem ser trabalhados textos escritos diferenciados, com diferentes modos de falar e observar as possibilidades de usos linguísticos. E quando se trata de correção, a autora acredita que se deve trabalhar com a variação da sintaxe, definir o que será o uso linguístico socialmente aceitável, para que os alunos não fracassem em algum curso de sua futura vida profissional. Os dois últimos capítulos abordam sobre a política para o ensino da língua portuguesa no Brasil. É necessário reconhecer o caráter multilíngue do país, combater todos os preconceitos linguísticos, estimular e reformular a crítica dos gramáticos e dicionários e definir os direitos linguísticos do cidadão. Para finalizar, o trabalho de Rosa V. Mattos e Silva produz reflexões e possíveis soluções, quanto aos problemas no ensino da língua portuguesa. Devem ser promovidos novos conceitos de ensino e inovações dentro da sociolinguística a fim de abolir a falsa ideia de que as pessoas não sabem utilizar a própria língua. A valorização das variantes dialetais deve ser difundida e aplicada dentro da realidade escolar.

    1 curtida

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    3.7 / 9
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    • 4 estrelas56%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Rosa Virgínia Barreto de Mattos Oliveira e Silva profile picture

    Rosa Virgínia Barreto de Mattos Oliveira e Silva

    Graduada em Línguas Anglo Germânicas, pela Universidade Federal da Bahia em 1961, Rosa fez mestrado em Letras, pela Universidade de Brasília, em 1965 e obteve o doutorado em Linguística pela Universidade de São Paulo, em 1971. Foi ainda durante sua graduação que Rosa se interessou pelas raízes históricas da língua portuguesa. Em suas décadas de dedicação ao ensino e à pesquisa, Rosa foi considerada uma "arqueóloga da língua", onde descreveu minuciosamente a história do idioma, tanto no Brasil quanto em Portugal, seguindo as origens desde a Idade Média até os dias atuais. Dedicou-se a estudar não apenas as origens do idioma, mas também trabalhou com Sociolinguística e a Dialetologia. Rosa acreditava que ao contribuir para a história da Língua Portuguesa, ela contribuiria também para o ensino da mesma em sala de aula e na alfabetização e que a pesquisa acadêmica não podia ficar distante das escolas. Foi Professora Titular e Emérita da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pesquisadora nível 1A do CNPq, atuando na graduação e na pós-graduação. Fundou o Programa de Pós-Graduação em Letras e Linguística da UFBA. Publicou mais de 60 artigos em revistas brasileiras e estrangeiras, produzindo também 18 livros e 40 capítulos de livros, muitos publicados em Portugal. Dedicou-se com afinco à criação do Programa para a História da Língua Portuguesa (PROHPOR), da UFBA, que reúne pesquisadores das mais variadas tendências linguísticas, cujo objetivo principal é o estudo da constituição histórica da língua portuguesa, desde o período arcaico, a partir do século XVI, para a investigação do português brasileiro. Rosa fez parte da equipe editorial de diversos periódicos, como a Alfa Revista de Linguística. Alguns de seus livros são considerados leitura obrigatória na área de Linguística e Linguística Histórica, tanto no Brasil quanto em Portugal.

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    Bahia, Brasil

    Rosa Virgínia Barreto de Mattos Oliveira e Silva