A invisível máquina do mundo -

    Marianne Wiggins

    Ediouro
    2005
    448 páginas
    14h 56m
    ISBN-10: 8500015519
    Português Brasileiro

    Este romance poético, da aclamada autora de John Dollar descreve os Estados Unidos no limiar da Era Atômica. No período entre as duas guerras mundiais, o futuro encerrava mais promessas que ameaças, porém já havia indícios das coisas invisíveis que iriam transfigurar nossa confiança inconteste num futuro tranquilo.

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    Rodrigo Pamplona07/07/2018Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Transcendental e Extraordinário! (Sem Spoilers)

    Jesus amado, por onde começar?... LEIA! Numa carta a Oscar Pollak, em 1904, o escritor Franz Kafka disse, a meu ver, algo definitivo sobre os livros e o ato da leitura: [Acho que só devemos ler a espécie de livros que nos ferem e trespassam. Se o livro que estamos lendo não nos acorda com uma pancada na cabeça, por que o estamos lendo? Um livro tem que ser como um machado para quebrar o mar de gelo que há dentro de nós. É nisso que eu creio.] Pois, se Kafka tivesse vivido o bastante para conhecer Marianne Wiggins e o seu “A Invisível Máquina do Mundo”, tenho plena e absoluta certeza que seu mar de gelo teria derretido, evaporado completamente, tal como o meu. São poucas as vezes que me proponho a escrever resenhas tomado por profunda emoção, como estou agora. Terminei esse livro há poucos minutos, lutando contra minha vontade imediata de parar tudo, de jantar, para me entregar a essa resenha, a esse tsunami de sentimentos. Peço desculpas de antemão, caro leitor, se meu excesso de ânimo acidentalmente eclipsar ou plantar alguma dúvida dentro de você quanto a transcendentalidade dessa obra. É proposital, pois preciso que você o deseje. LEIA! A Invisível Máquina do Mundo é um romance poético, a verdadeira união de poema, romance e narrativa. Traz liberdade da expressão, respeitando as regras de um romance, que deve possuir um começo meio e fim. Poderia ser também classificado como um romance científico, sem, contudo, se aprofundar na ciência a ponto de discutir questões de difícil compreensão ao leitor comum. A ciência está ali para explicar a vida, o que não é visto (o invisível, do título), embora seja sentido. O começo me surpreendeu e apertou o peito já na página 139. Ali foi o primeiro baque, após a assimilação do belíssimo estilo de escrita de Marianne Wiggins, que parece ter nascido com aquela invejável dádiva de controlar as palavras com o mesmo talento minucioso de um ourives. O meio, com seu desenvolvimento dinâmico, totalmente despojado de qualquer defeito que uma narrativa pode ter, plenamente livre de clichés e incoerências, redondinho e magnético, leva o leitor do riso às lágrimas, aquece o peito e o congela, se mostra trágico e luminoso (extremamente luminoso!). Já o final.... Bom, pra exemplificar melhor, aqui vai uma nota que escrevi em meu celular quando me aproximava do fim, lá pela página 373: “(...) acabei de ter meu coração arrancado do peito, posto em uma bandeja e incinerado diante dos meus olhos”. Mal sabia eu que o fim me iluminaria novamente e novamente e novamente, jogando centenas de ciscos nos meus olhos, me eletrizando de tal forma que eu precisei ler alguns parágrafos novamente, com calma, já que a ansiedade me fazia devorar o texto para chegar logo a última página. LEIA! Mas, em termos práticos e para que essa resenha se torne mais concreta, posso te dizer que o livro fala sobre a Grande Depressão de 1929, passando pelo vale do Rio Tennessee durante o New Deal. Fala sobre a história da energia nuclear e as suas marcas na história, principalmente entre o período das duas grandes guerras mundiais. Também fala sobre o amor, que é o que permeia todos esses elementos. É espirituoso, notável, digno de comparação com os grandes clássicos da literatura americana, sendo adequado descrevê-lo como algo próximo de uma obra-prima, um verdadeiro esforço épico, como a própria contracapa diz. Fluído e tempestuoso como as águas do Rio Tennessee. LEIA, por favor. Leia. Leia. Sem pestanejar; LEIA! Vai para o rol dos livros favoritos da vida. Melhor leitura de 2018, com toda certeza. PS: Esse livro foi finalista do Pulitzer de 2004. Já coloquei o vencedor, “O Mundo Conhecido”, de Edward Jones, na lista, pois se esse me causou tamanho impacto, o que esperar do outro? Passagens interessantes (há dezenas delas!): “Você acha que conhece o rio, mas um rio é impossível de conhecer. Você acha que o rio é seu amigo, mas descobre à custa da própria desgraça que o rio tem um código de ética muito pessoal. No fim, você se resigna a confiar nele e até amá-lo; porém ele lhe partirá o coração. Como outros patifes que deixaram você encalhado, mero observador, na esteira egoísta da passagem deles” (pg. 233) “No momento em que você constrói uma coisa, dá ao oposto daquilo a permissão para existir – se você constrói uma torre, constrói também a possibilidade de que ela desmorone.” (pg 323) “A vida não passa de uma série de colisões.” (pg 417)

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