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    A criança no tempo -

    Ian McEwan

    Rocco
    1997
    250 páginas
    8h 20m
    ISBN-10: 8532507328
    Português Brasileiro
    3.5
    174 avaliações
    Leram239Lendo12Querem445Relendo0Abandonos13Resenhas26
    Favoritos3Desejados445Avaliaram174

    "Stephen é um simpático escritor de livros infantis que, de uma hora para outra, tem sua vida destruída ao perder a filha de três anos numa fila de supermercado. Durante muito tempo, Stephen vai procurar o rosto da menina em toda criança que vê na rua, revendo na memória os detalhes mais banais da cena que prenunciava a tragédia. Numa narrativa não-linear, Ian McEwan intercala momentos de forte tensão emocional com casos leves e engraçados. E dá a verdadeira dimensão dos conflitos de um homem lutando entre esquecer e lembrar, desistir e viver."

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    Aione Simões09/01/2019Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    A Criança no Tempo foi originalmente publicado em 1987 e recebeu sua primeira tradução para o português brasileiro em 1997 pela editora Rocco. Em 2018, ano em que Ian McEwan completou 70 anos, a editora Companhia das Letras publicou uma nova edição da obra. Em A Criança no Tempo conhecemos a história de Stephen Lewis, escritor de livros infantis que tem sua vida modificada após o súbito desaparecimento de sua filha de três anos em uma ida rotineira ao supermercado. Entre os conflitos que a perda gera no casamento, o livro discorre sobre luto, culpa e, especialmente, sobre a passagem do tempo. "O crescimento de Kate tinha se transformado na própria essência do tempo. Seu crescimento espectral, o produto de uma tristeza obsessiva, era não apenas inevitável — nada era capaz de fazer parar o relógio fibroso — mas necessário. Sem a fantasia de sua continuada existência, ele estava perdido, o tempo pararia. Era o pai de uma criança invisível." página 9 A escrita de Ian McEwan pode ser considerada uma mescla de sensibilidade e esmero. Com uma narrativa bem-construída, o enredo se desenvolve quase que sem diálogos e de maneira não-linear, combinando acontecimentos presentes com lembranças e digressões, o que faz da leitura mais lenta, já que exige certa atenção do leitor. Tal narrativa, porém, exerce função fundamental na exploração de uma das temáticas da obra: a passagem do tempo e sua relatividade. Ao contrapor passado e presente, é possível não apenas apurar todas as modificações ocorridas entre um e outro, mas também como a sensação sobre o tempo é subjetiva. Enquanto alguns eventos quase não são captados por Stephen — como sua participação nas reuniões do subcomitê governamental de leitura e escrita — outros têm duração extendida — como sua constante rememoração sobre Kate e seu esmiuçamento dos eventos que levaram a seu desaparecimento. A não-linearidade, também, permite uma maior construção das personagens, uma vez que eventos passados são apresentados em ordem de demonstrar tudo aquilo que as constitui, sejam acontecimentos em si, sejam as formas de como tais acontecimentos foram experienciados por quem os viveu. "O dia em que ele agora se encontrava não era o dia em que acordara. Permanecia lúcido, decidido a avançar. Estava em outro tempo, porém não se sentia confuso. Era um sonhador que sabe que está sonhando e, embora receoso, permite que o sonho se desdobre por pura curiosidade." página 75 O que, sem sombra de dúvidas, se destacou na leitura para mim foi a forma sensível de como impressões e sentimentos foram retratados. A ausência de Kate é uma presença constante na vida tanto de Stephen quanto de Julie, sua esposa, e a maneira de como ambos lidam com a dor é tanto comovente por si só quanto angustiante pelo que causa na relação entre eles. Ainda, ao longo da leitura nos é permitido refletir sobre tudo o que perdemos ou deixamos para trás, bem como naquilo em que nos transformamos, conforme o tempo passa. O tempo é agente de mudanças, assim como expõe muitas vezes fragilidades internas e nas relações humanas. Embora A Criança no Tempo proporcione em muitos momentos uma leitura melancólica, não é esse o tom do final da leitura. E, ainda que o livro não tenha entrado para meus favoritos do autor, mais uma vez demonstrou o talento narrativo de Ian McEwan e seu olhar sensível ao retratar as dificuldades e anseios existentes em cada um de nós.

    31 curtidas

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    Avaliações

    3.5 / 174
    • 5 estrelas16%
    • 4 estrelas34%
    • 3 estrelas33%
    • 2 estrelas16%
    • 1 estrelas2%
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    Ian Russell McEwan

    Ian McEwan é considerado um dos grandes nomes da ficção britânica contemporânea. Seu primeiro livro, <i>First love, last rites</i> (1975), ganhou o prêmio Somerset Maugham. É conhecido pela inventividade com as palavras e pelo gosto de usar a mecânica dos thrillers como crítica social. Ao longo de sua carreira foi indicado diversas vezes para receber o Booker Prize, o mais prestigiado prêmio literário britânico, o que veio ocorrer em 1998 com o livro <i>Amsterdam</i> (1998). Sua obra é famosa pelo realismo psicológico, com rigor de detalhes e clima ameaçador, explorando com frequência temas complexos como escolha ética, decisões difíceis e circunstâncias extraordinárias.

    60 Livros
    507 Seguidores
    Hampshire, Inglaterra

    Ian Russell McEwan