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    Um Deus Dormiu Lá Em Casa (Coleção Dramaturgia Brasileira) -

    Guilherme Figueiredo

    Serviço Nacional de Teatro
    1973
    42 páginas
    1h 24m
    Português Brasileiro
    4.3
    14 avaliações
    Leram35Lendo4Querem34Relendo0Abandonos0Resenhas1
    Favoritos1Desejados34Avaliaram14

    A história cômica de Anfitrião é aproveitada por inúmeros dramaturgos, desde a Antigüidade, e o exemplar mais antigo que se conhece é de Plauto. O deus Júpiter, desejando possuir a mortal Alcmena, assume a identidade de seu marido, o general Anfitrião, e, na companhia de Mercúrio, por sua vez disfarçado de Sósia, o servo do general, entra na casa da mulher um dia antes de Anfitrião voltar da guerra. Na maioria dos textos, a chave de comicidade consiste na série de mal-entendidos provocados com a volta do verdadeiro general, principalmente em cenas como a do encontro entre o falso Sósia e o verdadeiro. Em Um Deus Dormiu Lá em Casa, Guilherme Figueiredo modifica o enredo original ao eliminar as personagens Júpiter e Mercúrio: o espectador vê apenas Anfitrião, que, ao voltar da guerra, para testar a fidelidade de sua esposa, se apresenta a ela como a encarnação de Júpiter sob a aparência humana de Anfitrião. A comicidade é mantida pelo jogo de enganos: Anfitrião pensa que engana Alcmena, que, desde o início, percebe o estratagema do marido. Esta opção conduz a linguagem a uma perspectiva eminentemente realista, uma vez que os espectadores têm o mesmo ponto de vista de Alcmena, isto é, só vêem o que é humano.

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    Resenhas (1)Ver mais
    Anna Catharina de Miranda e Silva picture
    Anna Catharina de Miranda e Silva22/04/2024Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Um deus dormiu lá em casa - a narrativa mais emaranhada que já li!

    Que bela confusão fazem Anfitrião e Sósia! Neste caso, contar o início da história seria dar o maior spoiler do livro! Então me limito a dizer que a história é digna da narrativa novelesca de nossos dias! Com uma confusão atrás da outra, cheia de personagens manipuladores e estrategistas se embrenhando nas suas próprias criações. A história se enrola tanto em seu novelo que faz o leitor dar muitas risadas! É uma leitura rápida, mas muito proveitosa!

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    4.3 / 14
    • 5 estrelas43%
    • 4 estrelas50%
    • 3 estrelas7%
    • 2 estrelas0%
    • 1 estrelas0%
    Guilherme de Oliveira Figueiredo profile picture

    Guilherme de Oliveira Figueiredo

    Guilherme de Oliveira Figueiredo, Autor-Dramaturgo cujas peças são voltadas para temas mitológicos, em sua maioria, escritas com uma abordagem cômica. Formado em direito, inicia-se fazendo crítica teatral, em O Jornal, e literária, no Diário de Notícias, ambos no Rio de Janeiro. Estréia como dramaturgo em 1948 com a comédia Lady Godiva e o drama Greve Geral, ambos montados pela companhia de Procópio Ferreira (1898-1979). No ano seguinte, surge Um Deus Dormiu Lá em Casa, inspirada em temática grega, iniciando uma série que o aproxima do universo dos mitos. Dirigida por Silveira Sampaio (1914-1964), com Paulo Autran (1922-2007) e Tônia Carrero (1922) à frente do elenco, a montagem alcança repercussão e prêmios. Para o teatro de revista colabora com A Imprensa É Livre e Miss França, em co-autoria com Geysa Bôscoli (1907-1978). Em 1951, cria Don Juan, retomando a clássica figura do burlador. Em 1952, A Raposa e as Uvas é dirigida por Bibi Ferreira (1922), tornando-se sua criação mais conhecida no Brasil e no exterior, onde conhece diversas encenações e traduções, recebendo os prêmios Municipal do Rio de Janeiro e da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT). Menina Sem Nome, infantil de 1957, antecede A Muito Curiosa História da Virtuosa Matrona de Éfeso, montagem de sucesso empreendida pelo Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em 1958. Novos textos são lançados nos anos subseqüentes, mas nenhum alcança grande repercussão: Tragédia para Rir, Retrato de Amélia e Os Fantasmas, em 1958. Permanecem inéditas as criações: Napoleão, Balada para Satã, O Herói, Comédia para Não Rir e Maria da Ponte, além de uma série de comédias curtas em um ato. No volume Xântias - oito diálogos sobre a arte dramática, Guilherme Figueiredo resume seus ensinamentos sobre dramaturgia, em 1957. Desde 1949, é professor de história do teatro na Escola do Serviço Nacional de Teatro (SNT), bem como tradutor de inúmeros autores, como Molière (1622-1673), William Shakespeare (1564-1616) e Bernard Shaw (1856-1950). Pela peça A Raposa e as Uvas, de 1958, recebeu todos os prêmios da Sociedade Brasileira de Críticos Teatrais; o Prêmio Artur Azevedo, da Academia Brasileira de Letras (ABL) e com Um Deus Dormiu Lá em Casa (1957) a medalha de ouro da Associação Brasileira de Críticos Teatrais (ABCT). Foi adido cultural do Brasil em Paris, onde "foi incansável em divulgar a cultura brasileira da França" com palestras, espetáculos teatrais e inúmeros eventos artísticos. Na TV Tupi, foi diretor artístico e diretor geral. Apreciando sua produção, declara o crítico Décio de Almeida Prado (1917-2000): "Guilherme Figueiredo é um escritor literário. Em teatro isso quer dizer, em geral, um autor que prefere a palavra à ação, a poesia à realidade. Guilherme Figueiredo é literário neste sentido: sente-se bem na maneira como falam as suas criaturas, que a linguagem delas é a linguagem da arte, não a da vida. Do autor, mais do que das personagens, é o espírito, a tendência para a ênfase, a procura do brilho verbal. (...) Ninguém é o escritor que quer (ou que os outros querem), mas o escritor que pode ser, o escritor que traz dentro de si mesmo".

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    São Paulo, Brasil

    Guilherme de Oliveira Figueiredo