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    Os Habitantes (Ciclo do Extremo-Norte #8) -

    Dalcídio Jurandir

    Arte Nova
    1976
    160 páginas
    5h 20m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro
    4.5
    4 avaliações
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    Favoritos1Desejados23Avaliaram4

    Trecho da obra: "Também não sabia dar conta à conversa com o seu Floremundo. E este, esfregando as mãos, paciente, esperava. O estudante foi no alpendre, foi no quarto, encontra no chão o Francês sem Mestre, o segundo volume de Os Miseráveis, a oração de Santa Rita dos Impossíveis para mandar ao pai, o Castro Alves, as cartas de Raul – Nini mexeu ou não me lembro se deixei assim desarrumado. Sem abrir a luz no quarto, abriu o atlas, abriu na África, aquela costa, ali aqui, de onde, de onde o brigue que trouxe aquele bisavô e a que preço? O deserto, o oceano, os leões, a esfinge, pulavam, bêbados, na lição de geografia. Mas não podia nem rir do mestre pois no chalé, quem sabe, ia a mãe, fechada na despensa, enxergando no caibro as bonecas – que nunca levou de Belém – da filha morta, as bruxas de pano desfeitas pela chuva. Tal suposição, por mais exata, era trair a mãe, ofendê-la, expô-la diante de um público, esse ,que povoa a consciência dele. Abre o caderno e olha com surpresa: que é feito do ginasiano? Quem estuda neste quarto? Estou passando um calote. De cima do telhado, Luciana o espiava. Os livros o espiavam. Ser é sentir-se espiando. Agora no pescoço o tucumã com um contrafeitiço dentro. Deus? Deus? Nem podia mais catar os cacos de Deus, metê-los no carocinho. Deus? Naquele ano, pela cidade acesa de velórios de anjo, as moscas nasciam do corpo podre do Senhor Morto. A noite, esta, encalhou?" *** “A flora e a fauna estão presentes e se revelam por inteiro nesse “Os Habitantes” que soma um título a mais na obra cíclica de Dalcídio Jurandir e que dá conotações mais brilhantes às personagens que transmitem valor humano. É gostoso ouvir-lhes a fala que denuncia certa ternura no tratamento. Há respeito pelos mais velhos. Ama-se esta nação e se lhe deseja um futuro melhor. Protesta-se contra injustiças, que não podem e não devem persistir as explorações. A região está em parte virgem a penetração do homem.” - Jornal Gazeta Comercial, 1976

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    Dalcídio Jurandir

    Dalcídio Jurandir Ramos Pereira (Ponta de Pedras, ilha do Marajó, Pará, 10 de janeiro de 1909 — 16 de junho de 1979) foi um romancista brasileiro. Estudou em Belém até 1927. Em 1928 partiu para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como revisor na revista Fon-Fon. Em 1931 retornou para Belém. Foi nomeado auxiliar de gabinete da Interventoria do Estado. Escreveu para vários jornais e revistas. Militante comunista, foi preso em 1936, permanecendo dois meses no cárcere. Em 1937 foi preso novamente, e ficou quatro meses retido, retornando somente em 1939 para o Marajó, como inspetor escolar. Escreveu para vários veículos e acabou como repórter da Imprensa Popular, em 1950. Nos anos seguintes viajou à União Soviética, Chile e publicou o restante de sua obra, inclusive em outros idiomas. Em 1972, a Academia Brasileira de Letras concede ao autor o Prêmio Machado de Assis, entregue por Jorge Amado, pelo conjunto de sua obra. Em 2001, concorreu com outras personalidades ao título de "Paraense do Século". No mesmo ano, em novembro, foi realizado o Colóquio Dalcídio Jurandir, homenagem aos 60 anos da primeira publicação de Chove nos Campos de Cachoeira. Em 2008, o Governo do Estado do Pará instituiu o Prêmio de Literatura Dalcídio Jurandir. Em 2009 comemorou-se o centenário do escritor. Escreveu: Série Extremo-Norte Chove nos Campos de Cachoeira (1941) Marajó (1947) Três Casas e um Rio (1958) Belém do Grão Pará (1960) Passagem dos Inocentes (1963) Primeira Manhã (1968) Ponte do Galo (1971) Os Habitantes (1976) Chão dos Lobos (1976) Ribanceira (1978) Série Extremo-Sul Linha do Parque (1959)

    14 Livros
    25 Seguidores
    Pará, Brasil

    Dalcídio Jurandir