O Reino dos Sonhos - A Cidade de Cristal

    Natália Couto Azevedo

    Estronho/Fantas
    2012
    224 páginas
    7h 28m
    ISBN-13: 9788564590137
    Português Brasileiro

    "A trilha acabou bruscamente. Ao olhar para trás, não havia mais vestígios da sua existência, que loucura! Mas, ao olhar para frente, não estava preparada para o que veria. Uma paisagem única e perfeita: uma cidade construída inteiramente de cristal." "Mais uma vez, o mesmo sonho estranho: a floresta misteriosa. Entretanto, havia algo mais bizarro do que o próprio sonho. Um perfume de flores dominava o ar do cômodo, uma doce lembrança da clareira. Acendi a luz. Sobre o travesseiro, repousava uma linda margarida, ainda úmida, como recém-colhida de um campo coberto por orvalho. Será que eu estava ficando louca? Como os demais sonhos naquela clareira, este havia sido nítido e quase real. Os meus pés pareciam ainda úmidos pelo contato com a grama. Porém, o perfume suave no quarto e a presença da margarida iam além de qualquer sonho, ultrapassavam o limite da realidade e, talvez, da sanidade." "– Isso é uma loucura! Tudo bem, vamos considerar que você seja uma fada, mas e eu, onde eu entro nesta história? – perguntei para minha mãe. – Simples, você é uma fada também." Até onde os sonhos podem nos levar? Elorá descobre que pode chegar quase ao infinito… Dormir é diferente para Elorá, ela mergulha em uma nova dimensão através de seus sonhos. Um mundo habitado por fadas, tão lindo, tão difícil acreditar que seja real. Mas mesmo a beleza esconde seus segredos. A garota percebe estar mais ligada àquele lugar do que imaginava e teme perder o controle sobre seu próprio destino. Dividida entre dois mundos, Elorá precisa dar conta de sua carreira, família e novo amor. Mas ao dormir, não poderá descansar, pois a solução de uma disputa entre clãs feéricos está em suas mãos. E se não tomar cuidado, os humanos podem ser os perdedores. Entre nesta aventura, repleta de magia, amor, segredos e traições. Descubra como o poder dos sonhos pode transformar tudo. http://fantas.com.br/index.php/o-reino-dos-sonhos

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    André Moreno picture
    André Moreno05/05/2011Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Sininho passou longe

    "Dream on! Do you believe all the things that you're seeing are true?" ('Through the Looking Glass' - Symphony X) A mágica de sonhar. É a lição implícita mais explícita que se pode tirar do universo de fantasia de O Reino dos Sonhos - A Cidade de Cristal. Uma mágica mantida viva exclusivamente pela fé, ou boa vontade, sentimento, intuição ou como quer que chamem quando a busca por qualquer respaldo racional parece nos guiar para o oposto, mas ainda sabemos o certo a se fazer. E mesmo diante de resultados práticos aparentemente falhos ou frustrantes, essa sensação se mantém pela paz de espírito em ter agido conforme essa inclinação natural. Elorá, a protagonista, demonstra sempre ter tido essa mágica com ela, mesmo antes de iniciar suas viagens durante os sonhos, algo que passaria batido no livro não fosse seu contraste com a perda dessa paz quando se depara com a angústia e o medo - e as consequências - que a fazem negar seu eu. De onde se entende que, se existe um caminho pra felicidade, definitivamente não está em fugir de sua essência. E, pelo contra-exemplo, a lição se confirma. Quanto ao livro em si, a leitura se torna interessante pelo misto do inovador com o consagrado (que, bem dosado, escapa ao cliché) e pela riqueza de detalhes. A ficção fantasiosa em prosa, em alta nas estantes das livrarias, é marcada pelo mundo feérico, em vez de vampiros e zumbis apaixonados, e na sua contramão - ao invés de seres classicamente maldosos cheios de pudores, uma dimensão classicamente edênica cheia de guerras e politicagem. Os superpoderes que os personagens desse universo têm que ter estão limitados (pelo menos de forma direta) ao Reino dos Sonhos, sendo seus efeitos no nosso mundo percebidos como as coisas que vemos nos noticiários todos os dias, dando verossimilhança à história e criando novos modelos (se não mais certos, ao menos mais divertidos) para explicar fenômenos que nem a ciência consegue de forma plausível. E a protagonista adolescente que se sente desajustada no mundo e encontra um no qual é especial o faz liberta da consciência da vigília, permitindo aos olhares mais racionais, como é o meu, sempre questionar se a realidade da história é mesmo dupla, ou se ela apenas perdeu sua sanidade, obtendo a resposta nos pequenos detalhes do texto, como uma corrente ou uma margarida. Ser amigo da autora certamente pode comprometer minha credibilidade nas exposições acima, e por isso só revelo esse detalhe após levantar os maiores pontos positivos da narrativa - o que tentei de forma imparcial e sincera - e com um único intuito: contar que aqueles que a conhecem, mais do que prestigiá-la com a leitura de sua obra, têm a oportunidade de perceber características suas impregnadas no texto, desde seu temperamento até as marcas deixadas pela sua formação na faculdade de veterinária (a qual também cursei). Não creio que tenham sido todas intencionais - provavelmente apenas frutos de sua personalidade -, nem a assimilação do romance é alterada pela discrimação ou não desses itens, mas são sempre pontos de maior identificação do leitor com o livro. Nunca achei que um mundo de fadas me levaria a querer saber como a história continuará nos próximos volumes. Mas quero.

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