Não tenho muito a falar sobre esse livro. Acho que ele é uma ponte entre o primeiro e o segundo. E acredito também que foi uma ponte bem feita.
Nesse livro acompanhamos o dia a dia em Shadowfell além da jornada de Neryn em busca dos " big ones".
Essa parte do treinamento de Neryn foi bem pensada pela autora e bem interessante também, pois o leitor passa a entender realmente como funciona esse poder e a sua alta capacidade e periculosidade.
Neryn age corretamente em todo o percurso que ela tem que percorrer com Tali, conseguindo, assim, firmar uma grande amizade com esta, que, no início, mostrou-se menos favorável a Neryn.
A história, então, começa a nos dar uma visão mais ampla de Tali e eu tenho que dizer que gostei do desenvolvimento que Juliet Marillier deu a ela. Ela é uma personagem com convicções fortes, leal, corajosa e firme. Apesar de que, quando quer, torna-se teimosa e até mesmo bruta com os outros. No fundo, ela é uma guerreira.
A revelação que temos no final sobre ela já era algo previsível. Na verdade, só não via isso quem fosse cego. O engraçado é que ela pega Neryn de surpresa,ou seja, em consegui esconder isso super bem. Acho que tive facilidade de entendê-la, pois costumo agir da mesma forma às vezes.
E é da história de Tali que extraímos uma grande lição: nunca deixe a guerra lhe impedir de amar e de demonstrar esse amor. O amor, apesar de poder ser utilizado como uma arma contra você, é uma das únicas esperanças no caus.
Quanto ao guardião do Norte, toda aquela visão de não deixar que a tristeza e o arrependimento lhe levem para baixo e lhe excluam das pessoas que você ama foi muito bonita.
Nessa história a gente também consegue ter uma visão mais íntima dos GREAT FOLK. Neryn, em busca de entender seus poderes e levantar um exército, acaba tendo que lidar com muitos deles e nada disso é fácil.
Uma outra coisa que tenho que acrescentar é que eu estava sentindo falta de uma abordagem maior do rei. Nesse livro, ela é dada em uma das partes mais eletrizantes da história. Parece, pelo que li, que a sua esposa exerce uma forte influência nas escolhas erradas dele também.
Quanto ao final, acho que ele abre a curiosidade do leitor para saber do que o rei estava falando para Owen. E mais. O último parágrafo descreve uma cena um tanto enigmática. Fiquei sem saber o que pensar. Torço para que isso seja algo que vá agradar Tali, mas não acredito que autora tenha tomado esse passo.
De qualquer forma, foi um livro muito bom, mas bem mais lento e menos eletrizante que o anterior. Conhecer Tali, no entanto, valeu a pena e toda a jornada dura de aprendizagem faz parte da jornada do herói. Quer ele queira, quer não.