Gol de Esquerda -

    Ronny Someck

    Annablume Editora
    2012
    118 páginas
    3h 56m
    ISBN-13: 9788539104581
    Português Brasileiro

    "Ronny Someck nasceu em 1951 na cidade de Bagdá, numa família judaica, ou seja, herdeira de um passado que remontaria ao século 6 antes da era comum, época do Primeiro Exílio, quando grupos israelitas foram deslocados para lá pelos conquistadores assírios da Terra de Israel. [...] É, hoje, um dos poetas israelenses mais traduzidos no mundo, tendo dois livros publicados no Egito. No total, até agora, ele foi traduzido para 37 idiomas, inclusive o português brasileiro. Publicou dez volumes de poemas, ganhou prêmios literários internacionais, e, em seu país, recebeu o importante Prêmio Iehudá Amihai de Poesia Hebraica. [...] o poeta escreve na língua dos profetas – mesclada ao cinema hollwyoodiano, mas dentro da cena israelense por onde transparece a epopeia da construção do Estado, as contradições dessa sociedade, as guerras, suas tensões, o anseio pela paz e pelo convívio não só com os vizinhos dos arredores israelenses, mas idem com os vizinhos de dentro, cristãos e muçulmanos com quem o poeta compartilha algumas tradições, sem contar o idioma falado pela família." (Moacir Amâncio)

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    Ricardo Biazotto picture
    Ricardo Biazotto04/01/2013Resenhou um livro
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    Resenha para o blog Over Shock

    Gol de Esquerda, Ronny Someck, tradução de Moacir Amâncio, 1ª edição, São Paulo-SP: Annablume Literária, 2012, 118 páginas. Apesar de ter nascido em uma família judaica em Bagdá, o poeta Ronny Someck se mudou para Israel quando tinha apenas dois anos e ali morou por toda a sua vida, tornando-se assim o poeta israelense mais traduzido no mundo, além de ser um dos principais nomes da poesia oriental e ter recebido o Prêmio Yehudá Amihai de Poesia Hebraica. O primeiro livro de Someck a ser lançado no Brasil é Gol de Esquerda, uma coletânea que reúne diversas poesias que retratam a cultura do país em que vive e a visão do autor sobre tudo vivenciado ao longo de sua vida, inclusive a guerra, os conflitos pessoais, familiares e até mesmo de relacionamento com pessoas de dentro e fora do estado israelense. “Nós estamos colocados em cima do bolo como bonecos de noivo e noiva. Quando vier a faca, ainda tentaremos ficar na mesma fatia” (Poema da Felicidade – pág. 31). Traduzido pelo escritor e conceituado jornalista Moacir Amâncio, vencedor do Prêmio Jabuti em 1993 – principal premiação da literatura nacional –, Gol de Esquerda mostra ao leitor uma característica diferente de se escrever poesias, característica essa que talvez seja própria dos poetas orientais. Ao contrário do que estamos acostumados, as poesias de Ronny Someck não seguem um padrão estético e fonético, que as deixam mais “bonitas”, e na maioria das vezes tem uma linguagem robusta. Apesar de uma leitura fácil, em alguns casos pode-se encontrar certa dificuldade de compreensão na primeira leitura, isso principalmente pelo fato do autor fazer comparações ou referências desconhecidas pelo leitor – ainda que existam notas do tradutor. Ao longo de todo o livro, o poeta faz muitas referências a diferentes culturas e sobre o que é valorizado em diversos países, como o cinema norte-americano. Uma das figuras mais citadas é a atriz Marylin Monroe, que tem um poema dedicado exclusivamente a ela (intitulado Para Marilyn Monroe), onde o poeta diz “Tantas pílulas para dormir jorram / dos olhos arrancados de Marilyn. / Elas passam como um trem pela barreira / dos lábios vermelhos dela e se espelham feito cascalho / sob o trilho das estações quentes do seu corpo”, fazendo assim uma referência à misteriosa morte de uma das atrizes mais conhecidas da história. Grande fã do futebol mundial, o poema que dá título ao livro de Ronny Someck é uma homenagem ao húngaro Ferenc Puskas, considerado o “Pelé do futebol europeu”. Nesse poema, Someck conta como que Puskas parou uma sinagoga que era próxima do campo de futebol em que ele estava jogando. Aliás, a capa do livro, que aparentemente não passa de uma imagem abstrata, é uma arte criada pelo próprio poeta para a versão nacional de seu livro e mostra a imagem de um jogador de futebol brasileiro que apenas quem tiver o livro mãos poderá descobrir. “Sobre o corpo dos cacos os poetas escrevem poemas. Eu não. Eu sou geólogo dos estratos de batom dispostos nos lábios de vidro como um farrapo vermelho tingido em sangue de touro” (Caco – pág. 45). Mais em: http://www.blogovershock.com.br/2013/01/resenha-126-gol-de-esquerda.html

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