O mal radical introduzido no mundo pelo nazismo e, mais genericamente, pelo totalitarismo; a demissão, por parte dos indivíduos, da sua própria responsabilidade moral - demissão do pensamento e demissão da ação, de modo indissociável -, levaram Hannah Arendt a questionar-se sobre as condições de uma responsabilidade autêntica dos homens pelo mundo, de uma autêntica ética da política. O mundo totalitário foi edificado sobre os escombros do senso comum e completou essa destruição. Anne-Marie Roviello revela as diferentes dimensões do senso comum, tal como foram pensadas por Hannah Arendt: sentido da comunidade do sentido e do mundo, sentido da condição humana da pluralidade - donde, talvez, uma outra forma de pensar os direitos do homem, que concilie o sentido da comunidade com um individualismo autêntico - sentido de um enraizamento comum dos diversos modos de "pensar aquilo que fazemos" numa "origem" dupla: na ‘quase transcendência’ da questão ou da exigência do sentido, e na experiência, ela própria origem fenomenológica da questão do sentido; sentido da condição humana como aquilo que, simultaneamente, limita e torna possível um exercício autêntico da liberdade humana, representando o mundo concentracionário a configuração mais radical da hubris humana, compreendida como autodestruição da liberdade humana quando se volta contra a condição do homem.
Senso comum e modernidade em Hannah Arendt -
Anne-Marie Roviello
Instituto Piaget
1987
202 páginas
6h 44m
ISBN-10: 9728407815
Português
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