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    Almoço Nu -

    William Burroughs

    Ediouro
    2005
    342 páginas
    11h 24m
    ISBN-10: 8500016493
    Português Brasileiro
    3.7
    582 avaliações
    Leram913Lendo100Querem2067Relendo6Abandonos109Resenhas27
    Favoritos56Desejados2067Avaliaram582

    Logo que foi lançado em Paris, em 1959, Almoço nu se tornou um dos romances mais importantes do século XX. Influência determinante na relação entre arte e obscenidade, a obra redefiniu não apenas a literatura, mas a cultura americana como um todo. O protagonista é o junkie William Lee, que viaja por vários lugares física ou alucinadamente. Construído numa série de vinhetas, que podem ser lidas fora de ordem, o livro se inspira nas experiências inusitadas do próprio Burroughs em lugares como México, Tânger e Estados Unidos, e no seu vício em heroína, morfina e outras drogas.

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    Resenhas (27)Ver mais
    Gustavo T. de M. Kamenach picture
    Gustavo T. de M. Kamenach13/10/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    O beatnik lisérgico

    O almoço nu pode ser considerado a magnus opus de William S. Burroughs e a representação máxima da contracultura da geração Beat. Nessa obra escrita em 1959 que causou grande furor na época e não é para menos, pois ainda hoje ela causa espanto, repulsa e estranhamento nos puritanos e conservadores de plantão (que não são poucos dada a onda de conservadorismo que temos vivenciado). O texto explora abertamente o consumo de drogas dos mais diversos tipos e suas consequências, homoerotismo, linguagem explícita com muitos termos chulos, crítica social e política. Tudo isso misturado numa trama rocambolesca e surreal, com empresas e corporações, detetives e traficantes drogados não necessariamente nessa ordem. Situações para lá de bizarras como o clássico trecho em que Bill Lee conta sobre "um cara que ensinou seu c* a falar que foi adaptado de forma impecável por David Cronenberg em Mistérios e Paixões (recomendo fortemente esse filme, ele conseguiu o impossível, adaptar uma obra tão aberta e bizarra e um filme mais ou menos linear e coerente na medida do possível. Além da temática polêmica já citada, a estrutura do livro é dividida em capítulos ou vinhetas como sugere a sinopse. Capítulos esses que podem até ser lidos de forma aleatória dada a descontinuidade do enredo. Não são contos por que nao se encaixam nessa denominação. Dentre essas vinhetas/capítulos, os que mais me impressionaram estão: • Benway A burocracia kafkiana embebida em heroína. A homossexualidade como fator determinate do sofrimento do autor, a pressão social a que ele estava submetido e sua vida marginal regrada a drogas são sintetizadas nesse trecho que remete tanto a Kafka quanto ao totalitarismo de Orwell. • A festa anual de A.J: Um texto altamente lascivo, chocante e escatológico... vai em uma crescente de teor erótico leve e até prazeroso de ler e imaginar culminando em bizarrices e narrativa surreal que confunde e enoja ao mesmo tempo. • Corporação Islã e os partidos da Interzona: Uma das melhores partes do livro, aqui temos: Liquefacionários, divisionistas, emissores e fáticos. São os partidos que compõem a Corporação Islã, uma entidade que controla tudo e nada ao mesmo tempo e sua onipresença oprime, com seu caráter burocrático e maligno. Esses partidos lutam entre si, o que envolvem réplicas de si mesmo disfarçadas, seres insetoformes, corruptos, muita orgia e consumo de drogas junk. Entendeu algo? É... eu também não, mas é uma viagem incrível! Definitivamente não é uma leitura indicada para os mais sensíveis, conservadores e reacionários... ou melhor talvez seja para esses indivíduos mesmo. O intuito da geração Beat que descortinou a hipocrisia da sociedade norte americana, deu origem ao movimento hippie dos anos 60 e abriu as portas para toda a criatividade e cultura dos anos posteriores.

    52 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.7 / 582
    • 5 estrelas28%
    • 4 estrelas31%
    • 3 estrelas26%
    • 2 estrelas10%
    • 1 estrelas5%
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    William S. Burroughs

    William Seward Burroughs II [aka William Lee], foi um escritor e artista americano -- jornalista, pintor, declamador-performer e crítico social dos Estados Unidos, graduado pela Universidade de Harvard em 1936. A sua obra mais conhecida é 'Naked Lunch' -- Almoço Nu no Brasil e Festim Nu / Refeição Nua em Portugal, seguida de Junkie. Grande parte de sua obra, de atmosfera surreal, onírica, fantástica e grotesca, tem caráter autobiográfico. Apesar de fazer parte da chamada geração beat, seus livros têm pouco em comum com o restante desses autores, já que a linguagem utilizada provém de fluxos de consciência durante o uso de alucinógenos. Homossexual depois da morte acidental da esposa causada por um disparo com arma de fogo. Foi um dos pioneiros da literatura experimental, tanto no universo léxico escatológico, urbano, comum e absurdo como no consumo de drogas para produção subjetiva de textos.

    53 Livros
    169 Seguidores
    Missouri, EUA

    William S. Burroughs