Cartas do Inferno -

    C.S. Lewis

    Grupo Amigos de C.S. Lewis
    2009
    104 páginas
    3h 28m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    As instruções de um secretário infernal a seu pupilo, um jovem tentador. O assunto: conselhos sobre como conquistar as almas humanas, mesclados à maldade e ironia infernais. Nesse livro, Lewis traça uma surpreendente visão do Inferno e da alma humana.

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    José Maria Pascoal Junior31/05/2020Resenhou um livro
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    Resenha do Livro Cartas do Inferno.

    Um livro que pode ser classificado como religioso e cristão, apresenta uma série de cartas de um demônio sênior, Screwtape, a seu sobrinho, um aprendiz de diabo conhecido por Wormwood, com a finalidade de aconselhá-lo sobre as formas de permitir a condenação ao inferno, a serem aplicadas em um cidadão britânico, referenciado como paciente. A história é contada por meio de trinta e uma cartas, em que há claras instruções sobre como o aprendiz deve abordar seu pupilo, de forma que o desvie totalmente do caminho de Deus, a quem Screwtape chama de inimigo. Embora os termos utilizados não sejam rebuscados, a intepretação pode ser considerada como complexa, porque faz referência aos pensamentos mais íntimos do ser humano, como as formas de buscar o contato com Deus e naquilo que o desvia desse foco. Essas interpretações das orientações de cada carta nem sempre são claras e diretas. A oração e sua forma de se ligar a Deus, o trato para com o semelhante, as intenções de cada um e seus pensamentos mais profundos são os alvos de destaque e atenção. Sempre aborda as situações cotidianas nas quais os cristãos são, na verdade, alertados a se defenderem das incessantes tentações vindas das profundezas do inferno. Permite, assim, que o leitor faça boas reflexões. O autor faz diversas comparações, exemplos e analogias, de forma irônica e um tanto quanto alegre. Quando o diabo erra significa que o paciente está acertando. No fundo, tudo se baseia nos dez mandamentos e nos desdobramentos de seus desvios. Demonstra as artimanhas e coisas aparentemente inofensivas que aquele anjo das trevas usa para agir nos planos mais intrínsecos da consciência das pessoas, como as rotinas do cotidiano e os relacionamentos mais próximos. Descreve as mais sutis armadilhas, detalhes que dificilmente paramos para refletir o quão incorretas são, como usar o humor para encobrir a crueldade, por exemplo. O materialismo e o ateísmo são as culturas mais criticadas. Os fatos descritos são baseados no mundo real, mas as abordagens destes se refletem no plano espiritual. Medos, sentimentos ruins são bem citados na exploração daquilo que o demônio costuma se aproveitar. Assim como os anjos, as cartas parecem demonstrar que há um anjo mau, especificamente, designado para influenciar e confundir cada ser humano. Uma das mensagens mais importante relatadas é a de que Deus criou o homem preso ao tempo terreno, mas prometendo-lhe a eternidade. Viver a eternidade em nosso tempo é viver intensamente cada dia, porque o passado não pode ser alterado e o futuro é incerto e não controlável. Outro destaque relevante é sobre o relato da mudança e da permanência, também referenciada como constância. Como as estações do ano que se repetem, Deus cria cada uma delas, sempre trazendo uma novidade. Há uma trama mínima que se revela mais ao final do livro, onde é possível perceber que o paciente vai vivendo sua vida de recém convertido ao cristianismo, sofrendo as manipulações do diabrete aprendiz. Casa-se com uma esposa devota à religião e depois sofre os horrores dos bombardeios dos alemães, na Inglaterra da Segunda Guerra. No final, o demônio aprendiz deixa o paciente escapar. Este percebe a presença de Wormwood, reconhecendo seu papel desempenhado em sua vida e decide que nunca mais permitiria essa influência, assim se libertando do mal. Esta obra foi escrita no ano de 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, por Clive Staples Lewis, comumente referido como C. S. Lewis, um irlandês e professor universitário que era ateu, mas se converteu ao cristianismo, sendo considerado um teólogo popular, aquele que não teve formação específica em teologia. As Crônicas de Nárnia foi uma de suas outras obras mais conhecidas, sendo ele um grande amigo e admirador de J. R. R. Tolkien, autor da fantástica obra O Senhor dos Anéis. Particularmente, Cartas do Inferno traz algumas passagens que merecem consideração como: a estrada mais segura para o inferno é gradual, sem placas, sem curvas acentuadas; os hábitos ativos são fortalecidos pela repetição, enquanto os passivos, pela continuidade; e todas as virtudes são menos formidáveis, assim que o homem percebe que as tem. As significativas palavras mais abordadas e que considero valer a pena destacar foram: luxúria, leviandade, materialismo, ateísmo, vaidade, ironia, jactância, moda, mundano, convenções sociais, pobreza de espírito, falsa modéstia, manipulação e tentação. A versão em que se baseou esta resenha foi a baixada no site LeLivros (http://lelivros.love/), cujo ano da obra não pode ser verificado, sendo da editora Exilado dos Livros e tradução de Susana Cap. O título original é The Screwtape Letters e outra edição bem procurada é a de nome Carta de Um Diabo a Seu Aprendiz, da Editora Thomas Nelson. Veja a vídeo resenha em: https://youtu.be/KsHkerzKryY, acesso em 31 mai. 2020. Paz e Bem!

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