Último livro da série Cabo Hatteras finalizado e série terminada com sucesso. Mais uma prova que grandes expectativas geram grandes frustrações, pois tinha os livros há tempos e histórias que prometiam decepcionaram, com exceção de Feitiço Branco. O livro Mar de Desejo, é o menos conhecido da série e conta a história de Gideon Mcnair irmão da Maggie, personagem do livro anterior.
Quando li a sinopse achei interessante, pois aborda o tema pirataria que eu adoro, romances nos mares e mocinha disfarçada de homem, desde que li Flor do Pantano da Patricia Potter viciei em mocinhas que fingem ser homens. A trama da história começou bem, logo início ficamos sabendo de um mistério envolvendo o tesouro do pai da mocinha que me deixou curiosa até o fim, outro fato positivo é um momento que envolve caça de baleias e me fez lembrar do filme no Coração do Mar, cheguei até a achar que o livro seria a redenção do anterior, Anjo Apaixonado, mas no final decepcionou também.
Dois fatos contribuíram para eu não gostar do livro: o casal e o romance. Eu já tinha antipatizado com Gideon no livro anterior, achei que ele egoísta por ter abandonado a irmã e bem indiferente durante o reencontro dos dois, além disso, minha preferencia é por mocinhos morenos, mas posso dizer que apesar disso ele está apaixonante nesse livro, maduro, viúvo, sofrido, solitário, com cicatrizes no corpo e na alma, por isso esperava uma mocinha altura, mas o que a autora nos dá é um moleque encrenqueiro. Tentei de todas as maneiras entender a mocinha, mas não consegui, achei ela chata, pirracenta, imprudente, indiferente e mentiu o livro inteiro, para o Gideon, o irmão, a avó. Uma rebeldia desnecessária e sem motivo, a sinopse nos leva a entender que ela aprontava porque o mocinho havia matado o pai e isso seria uma ótima justificativa, mas lendo o romance fica claro que isso não tem nada a ver. A escritora tenta criar uma personagem feminina tão masculina e irreal, que na minha mente o Gideon era gay. E não é porque a mocinha agia de modo diferente do usual, até gosto disso, mas sim porque a todo momento era ressaltado o quanto ela não tinha curvas, o quanto aguentava mais trabalho que os outros , o quanto brigava e xingava e o quanto não se importava com nada e nem ninguém, a ponto do mocinho chamá-la pelo nome masculino, mesmo já tendo descoberto que ela era mulher e seu nome verdadeiro.
Enfim, se fosse um romance homossexual, aí sim seria uma história melhor, em momento nenhum senti que eles se encaixavam, os momentos de paixão eram seguidos de um distanciamento horrível, não baixavam a guarda, discutiam por idiotices, passaram o livro todo escondendo o que sentiam, a mocinha foi pedida em casamento pelo irmão dela porque Gideon não teve coragem de falar e ela se casou com ele sem saber que era viúvo, é romance e fantasia sim, mas nem por isso pode fugir tanto da realidade.
Não dei nota menor, porque mesmo com tantas falhas a história ficou martelando na minha cabeça, porque poderia ser muito melhor. Talvez esteja sem paciência, pois parece que todo mundo gostou do livro, mas essas foram minhas impressões.