Este livro descreve duas histórias até certo ponto entrelaçadas. É primeiramente uma biografia de Henry Walter Bates (1825-1892), o naturalista do Amazonas e um os poucos biólogos europeus do século passado a repudiar o racismo. Seu amigo e companheiro nos primeiros anos da aventura amazônica foi Alfred Russel Wallace (1823-1913) co-fundador independente da teoria da evolução biológica por seleção natural. O livro também traz um relato das recentes e desconcertantes descobertas sobre as origens de "A Origem das Espécies" de Darwin (1809-1882) e as reais contribuições de Wallace e Bates para a gênese da teoria central da Biologia.
Bates, Darwin, Wallace e a Teoria da Evolução -
Ricardo Ferreira
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Ver maisCharles Darwin é certamente um dos nomes mais reconhecíveis no mundo inteiro, devido a suas enormes contribuições para o desenvolvimento do pensamento biológico, especialmente com sua teoria da seleção natural para explicar um dos fenômenos naturais mais impressionantes, a diversidade de espécies. No entanto, assim como virtualmente qualquer grande teoria científica, a teoria da evolução não é exatamente um fruto isolado, que veio inteiramente formado da cabeça de Darwin. Vislumbres do que seria a seleção natural aparecem em registros históricos. Houve mesmo o momento que a teoria quase que inteira foi descoberta independentemente. Este foi o caso de Alfred Russel Wallace. Wallace e seu amigo Henry Walter Bates foram naturalistas viajantes, coletando pela região amazônica (e Wallace no arquipélago malaio no futuro). Ambos ingleses, ambos de origens mais humildes, ambos com um grande tino para as ciências biológicas. O livro de Bates, "Um Naturalista no Rio Amazonas" é um dos melhores livros de viagens que já li. Este livro é uma espécie de biografia de Wallace e Bates. Por um lado, suas histórias estão em muito entrelaçadas. Por outro, caminham de forma diferente após um período, e o livro se perde um pouco. Ainda, o livro inclui a controvérsia das origens dos princípios da teoria da evolução de Charles Darwin. Não chega a dizer explicitamente, mas inclui sugestões de que possa ter havido uma apropriação por Darwin das ideias de Wallace, no momento que este lhe manda um manuscrito detalhando suas ideias da origem das espécies (David Quammen foi bem menos reservado em seu "O Canto do Dodô"). Ricardo Ferreira destaca que as teorias de Darwin e Wallace, apesar de bem similares, são notoriamente distintas em alguns pontos. Um deles é o alvo da seleção natural. Darwin acreditava que era o indivíduo, Wallace que era o grupo. Wallace também via um pouco diferente a pressão evolutiva e o surgimento de adaptações. A questão da seleção de grupo é recorrente na Biologia, hora ganhando força, hora tendo um papel menor e secundário. O consenso atual é que é um mecanismo existente, mas não é o predominante. É interessante ver uma discussão sobre a unidade da seleção que não seja "fenótipo Vs genótipo". "Bates, Darwin, Wallace e a Teoria da Evolução", como o próprio título sugere, aborda vários temas. Falta uma certa coesão na obra, mas absolutamente nada que prejudique a leitura.
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