Eu, primata - por que somos como somos

    Frans de Waal

    Companhia das Letras
    2007
    344 páginas
    11h 28m
    ISBN-13: 9788535910629
    Português Brasileiro

    Os descendentes de um primata que existiu há 5 milhões de anos deram origem ao que hoje são três espécies. Uma estabelece hierarquias sociais com base na força física, é capaz de canibalismo e de se organizar em bandos para aniquilar grupos rivais: são os chimpanzés. A segunda espécie vive em sociedades matriarcais em que sexo é boa parte da comunicação - para repartir alegria, mitigar ira, afugentar medo ou porque deu vontade. Eles já foram conhecidos como chimpanzés-pigmeus, hoje são chamados de bonobos. O terceiro descendente é menos peludo e capaz de façanhas como escrever e ler este livro - um relato científico acessível e divertido. Em capítulos que tratam de poder, sexo, violência e bondade, Frans de Waal mostra o quanto o homem tem em comum com os dois outros primatas. Ao fim da análise, o homem emerge como uma criatura bipolar, que pode ser mais violenta que os chimpanzés e mais gentil que os bonobos. Segundo o autor, a natureza do comportamento humano deve ser levada em conta para entender e nortear nossas sociedades. Tradução de Laura Teixeira Motta.

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    Débora Leão24/09/2024Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Para quem já esqueceu que é, sim, um primata.

    Este livro mudou muito minha percepção sobre nossas espécies irmãs, os chimpanzés e os bonobos. A abordagem do autor é clara: dividido em capítulos temáticos como poder, sexo e violência, o autor busca analisar como cada uma dessas espécies mais próximas de nós age, e, enquanto isso, tenta fazer um comparativo conosco. A ideia de escolher este para ser um livro introdutório (ao menos pra mim) foi boa e de fato foi uma leitura ótima, interessante, que ainda me faz pensar, vinte dias depois do fato. Não tinha lido nada do tipo, pensando a nossa evolução a partir das nossas espécies irmãs HOJE. Um livro que mostra o pior e o melhor do humano, olhando para nossos irmãos primatas. O otimismo do autor - sim, considero-o um otimista em exercício porque sente necessidade de contrapor as numerosas críticas à natureza humana mostrando exemplos de como podemos sim ser melhores - é razoavelmente embasado, em vez de livre demais, tolo ou desembestado, o que costuma me repelir com força (sou uma pessimista melancólica). Só tenho uma crítica a fazer: acho que o autor pesou a mão nas discussões filosóficas, sociais, políticas e humanistas relativas aos casos, exemplos e estudos com primatas que fornece. Fazendo isso ele confunde um pouco, mistura campos que para mim são sim relacionáveis, mas o livro perde força no que julgo ser o seu melhor: nos contar como somos comparando-nos com nossos irmãos primatas. Contudo, apesar desse aspecto cansar um pouco, o livro não perde seu brilho e segue uma leitura muito recomendada e aproveitável em termos de divulgação científica.

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