Achei a leitura bastante difícil e me perguntei várias vezes se não era possível escrever de uma forma mais objetiva. Muita coisa não entendi, me faltou bagagem. No entanto..., fiquei extremamente instigada a compreender, a buscar mais. O que compreendi, me pareceu fascinante. Basicamente os autores estão dizendo que existem três formas de pensamento: a filosofia, a ciência e a arte. Qualquer outra coisa, ou é opinião, que tem pouco valor, ou é caos, que é angustiante. Essas três formas criam e trabalham com experimentação, brigam com o caos e com a opinião, trabalham sobre um plano com agentes. A diferença entre elas está no tipo de plano, agente, resultado e nos objetivos. A filosofia trabalha sobre um plano de imanência, faz uso de personagens conceituais e cria acontecimentos ou conceitos. Seu objetivo é salvar o infinito e lhe dar consistência. A ciência trabalha sobre um plano de cooordenadas, faz uso de observadores, cria funções ou proposições. Seu objetivo é renunciar ao infinito e criar referência. A arte trabalha sobre um plano de composição com figuras estéticas, cria monumentos e sensações. Seu objetivo é criar um finito que restitua o infinito. Das três, é a arte que pessoalmente me interessa mais. Ela tem o poder de registrar e se registrar, e monumento é esse registro, mas ele tem muito pouco a ver com reter ou fixar, ou com memória. Porque é um registro de sensações, afectos e perceptos. Ou seja, são registros que mudam, se movem, conforme a subjetividade da pessoa que está em contato com aquela arte, naquele momento, extrapolando o autor da obra. O conceito de afecto e percepto, usado por Deleuze e Guatari, revela que a arte vai além de percepções, afecções e opiniões. A arte é linguagem das sensações. O pintor nao pinta numa tela vazia, nem o escritor escreve num papel em branco porque eles estão cobertos por clichês preestabelecidos. O que o artista faz é apagar, limpar, rasgar, para deixar passar uma corrente de ar ou uma fresta de luz que vem do caos. E é esse ar, essa luz, que traz visão, sensação. Conclusão da minha experiência de leitura: quero me aprofundar nesses pensamentos, quero entender mais.