O Mulato (Coleção L&PM Pocket #96) -

    Aluísio de Azevedo

    LPM Editores
    2011
    330 páginas
    11h 0m
    ISBN-13: 9788525408280
    Português Brasileiro

    Na conservadora São Luís, de fins do século XIX, o amor proibido entre Ana Rosa, uma jovem branca, e Raimundo, seu primo mulato. Mas pesa sobre eles o preconceito de uma sociedade hipócrita, que não conhece limites para proteger a situação estabelecida. Aluísio Tancredo Belo Gonçalves de Azevedo nasceu em São Luís do Maranhão em 1857 e morreu em Buenos Aires, Argentina, em 1913. Foi escritor, jornalista, crítico, dramaturgo, diplomata e membro fundador da Academia Brasileira de Letras. Seus principais romances são O mulato (1881), Casa de pensão (1884) e O cortiço (1890). É considerado um dos introdutores do romance naturalista no Brasil Neste livro, onde nota-se ainda traços de romantismo (a história desemboca numa intensa história de amor), o autor demonstra seu anticlericalismo e aborda a questão do preconceito racial através do protagonista deste grande romance, o dr. Raimundo José da Silva, um atraente e culto mestiço de olhos azuis que afronta a sociedade maranhense ao não perceber sua condição racial.

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    Clio picture
    Clio01/07/2022Resenhou um livro
    3 (Bom)

    "Salvem as mulheres... matem todos os padres!" Começo essa resenha com uma frase atribuída a Eça de Queiroz em uma produção Global não apenas porque ele é mencionado na obra, mas para poder dizer que esse é o verdadeiro tema de O Mulato. Aluísio Azevedo recria a sociedade maranhaense durante o Segundo Reinado criticando duramente a situação do negro em tempos pré-abolicionismo e a conivência, quando não dizer atividade, da Igreja Católica na opressão desse grupo. O cônego Diogo (numa óbvia referência a nomenclatura "diabo") é o responsável por todos os dissabores e crimes ocorridos com as famílias de Ana Rosa e Raimundo. Quando não estava ativamente manipulando em proveito próprio, personagens de histórico similar assumiam seu lugar. Há um certo romantismo no livro, nada exagerado já que estamos falando de um representante do Naturalismo, mas a sensualidade é o que transforma a escrita em algo moderno, pressagiando o erotismo de escolas literárias futuras. A narração é impecável, muito similar em trama à casos reportados por jornais da época... assim, a impossibilidade de um Final Feliz fica aparente desde o primeiro capítulo. O triunfo do mal, essa realidade aviltante, deixa a obra com um sabor amargo, ainda que concordante. Recomendo.

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