Estudo da inteligência para educar
O livro “Piaget para Educadores” de Laudo de Oliveira Lima foi publicado para elucidar melhor compreensão das teorias de Jean William Fritz Piaget no campo da pedagogia, e como se constrói o conhecimento pela capacidade de observação, bem como entender o desenvolvimento do conhecimento e da inteligência nos seres humanos. Piaget teve como intento de instaurar uma nova ciência, a Epistemologia Genética, que é o estudo dos mecanismos do aumento dos conhecimentos. A inteligência, portanto, é mecanismo de adaptação do organismo a uma situação nova, o que implica construir novas estruturas contínuas diante do mundo exterior. E para a função estrutural, inteligência é organizar-se para crescer e o novo objeto de conhecimento é o sujeito num sistema de relações, de que não existe um novo conhecimento sem conhecimento anterior para poder assimilá-lo e transformá-lo. A equilibração é a ideia de estar tentando se equilibrar, quando se entrar em conflito num processo que busca estabilidade da organização mental. A abstração, quando empírica, é informação que retira do objeto do conhecimento, e quando reflexiva, é informação que se retira das ações do objeto conhecido. O desenvolvimento da inteligência não é linear, mas proporciona acúmulo de conhecimento, com rupturas e saltos, em estágios de representação lógica da inteligência, que é superada nas seguintes fases: 1) Período Sensório-Motor (do nascimento aos 24 meses, com ausência da função semiótica e através das percepções e das ações do próprio corpo, prática na repetição de sílabas a palavras-frases, com ética da percepção do certo e errado e conduta social de isolamento, egocentrismo), 2) Pré-operatório (de 2 a 4 anos, quando a criança reconhece sua representação reflexiva, tudo deve ter uma explicação e tem função semiótica, e surge a linguagem do desenho, da imitação, da dramatização, com imagens mentais, com socialização isolada dentro do coletivo), 3) Período Operatório Concreto ( dos 7 anos aos 11 anos, período que consolida s conservações de número, substância, volume e peso, a organização social é de bando, há compreensão de regras, estabelecem-se compromissos, a conversação é linguagem socializada); 4) Período Operatório Formal (dos 11 anos em diante, é o ápice do desenvolvimento da inteligência e corresponde ao nível de pensamento hipotético-dedutivo ou lógico-matemático, com capacidade de calcular uma probabilidade, e há interesses orientados para o futuro, com estrutura de pensamento dialético, o que se permite uma discussão para se chegar a conclusão, e em organização grupal, estabelecem-se relações de cooperação e reciprocidade). Por conseguinte, a moral consiste num sistema de regras e a essência da moralidade é preocupar com o respeito com os outros, por seguir referidas regras. Por isso que o desenvolvimento moral é artificial nas crianças, e só pode ser observado a partir de cinco ou seis anos de idade, quando até esta fase da vida, o carinho, a ternura e o afeto são necessários para se estabelecer limites do não, para depois se implicar a cobrança, o que é a passagem da fundamentação moral, imprescindível para segurança psicológica. E maturacionismo são construções que se dão por demanda do meio e com objetos do meio, o que requer interacionismo construtivista. Enfim, o livro é bem didático e esclarecedor para se entender como utilizar as ideias psicológicas piagetianas sobre a inteligência no meio educacional
