A obra aborda a juventude de Leonor até o casamento com Henrique II da Inglaterra, bem como os seus arroubos carnais.
Embora seja uma biografia romanceada, a autora mantém o bojo da história da Idade Média, onde uma boa parte da igreja católica buscava somente o poder e ampliar os seus domínios pela Europa e adjacências, mesmo que para isso promovesse os casamentos arranjados intra consaguíneos.
Leonor, então duquesa de Anjou e prometida para Henrique de Plantageneta por seu pai para estender o domínio do reinado inglês, por manobra do abade Suger, seu conselheiro e da ala ambiciosa da igreja, se casa com o rei da França, Luís XII, preparado para a carreira eclesiástica mas obrigado a subir ao trono com a morte de seu irmão mais velho e depois o seu pai.
Do outro lado, a rainha Matilde, para conseguir o intento de unir Leonor e seu império ao seu filho Henrique, envia Loanna de Grimwald, afilhada e descendente direta dos druidas e já precoce nas artes do encanto e feitiçaria do povo de Avalon, para se tornar a sombra de Leonor e assim tudo fazer para acontecer as bodas da duquesa com o seu herdeiro e futuro rei.
Religioso fervoroso, ascético e nada vigoroso, não consegue conciliar sua vida rude com a ,mulher inteligente, refinada e sensual, e não conciliando a devoção com o papel de esposo e, ao se deixar conduzir pela sensualidade e desejo de sua jovem esposa, se pune pelo autoflagelo, deixando a fogosa e jovem duquesa se divertir com os homens que ela se deixava cortejar despudoradamente, já que concluíra ter se casado com um monge e não com um homem.
Com ela não consegue um herdeiro varão para o substituí-lo no trono e o casamento cai em declínio após 15 anos. Durante este período Leonor, apaixonada pela música dos trovadores, herança de seu avô, um dos pioneiros nesta arte, assente em seu reinado a presença constante destes artistas em seu convívio e festas que promovia costumeiramente. Luís rezava e Leonor era homenageada e inspirava os trovadores de seu ducado e, obviamente, se envolve também com um destes músicos.
Sensualidade, traição, intrigas e ambição são descortinadas por todo o livro, mas com os fatos históricos marcantes deste período, como a malfadada Segunda Cruzada, onde o rei decide partir para defender os estados cristãos da Palestina, ameaçados pelos turcos seljúcidas que invadiram o condado de Edessa em 1144, perpetrando o massacre dos cristãos, fato e fracasso marcantes em seu governo. Também é abordado, embora superficialmente, a caça às bruxas e feiticeiras de Avalon, pois a igreja proibia qualquer culto que não fosse o cristão e excomungava quem se opusesse aos desígnios papais.
Penso que a autora poderia ter explorado mais um pouco da história desta ilustre rainha, mas ainda assim é válida a leitura.