Esse livro foi leitura obrigatória no último bimestre da 7ª série. Todo bimestre nosso professor de Língua Portuguesa escolhia 5 livros infanto-juvenis e nós meninas nos juntávamos em 5 equipes para ser feito o sorteio. Naquele bimestre enfim eu caí em uma equipe legal e eis que esse foi o livro sorteado. Uma das meninas sugeriu fazer um curta-metragem para apresentar o livro. Eu fui a personagem da Marília porque meu irmão nos ajudou a adaptar o livro e tudo o mais, porém fiquei muito triste porque dias depois as meninas regravaram o curta sem mim (no dia nós não concluímos tudo) e isso fez com que eu me revoltasse e tomasse uma atitude drástica: romper com a equipe e encarar o professor perguntando se eu poderia fazer um trabalho sobre o livro valendo a mesma nota e apresentar diante da turma como era de esperar. O professor que era bem rígido compreendeu os meus motivos e eu me apaixonei por esse livro, encarando o medo de falar em público naquela ocasião pelos 3 pontos na média. Pensei que iria gaguejar, falhar, pagar mico, mas me saí muito bem, expliquei a história inteirinha para a classe, e ganhei a nota máxima, enquanto as meninas traidoras fizeram um curta malfeito e tiraram 1,5.
Bom, mas agora vamos mesmo ao que interessa... Esse livro é maravilhoso. Eu gostei do jeitinho único da Marília, de ela ser uma personagem tão encantadora quanto foi para mim. Gostei mais ainda porque tenho uma curiosidade natural em ler histórias ambientadas no Brasil dos anos 1960 e 1970, a época da ditadura, pois a Fanny Abramovitch conseguiu isso com muita maestria. O livro é cheio de referências históricas, musicais, mostra o amadurecimento da personagem Marília e dos dilemas que envolviam as suas escolhas. Pode até ser um livro curto, daqueles que você dá conta em um só dia, mas fica pensando nele por vários.
É o tipo de livro que recomendo para quem gosta de literatura nacional e não se prende a obrigatoriedade de sempre uma história ter que terminar com casamentos.