"Tenho de tudo e a vida é angustiante?"
O desfecho desta trama de Simenon é aparentemente previsível desde o início do livro. Porém esta situação não ofusca este belíssimo livro das aventuras do comissário Maigret que está próximo à sua aposentadoria e recusa uma promoção para o gabinete da Polícia Judiciária. Ele tem aversão ao mundo modorrento burocrático e sente que para entender o ser humano, e o que leva a matar alguém é preciso ir às ruas e às vezes tomar atitudes que caberiam aos seus subordinados - tal situação o fez receber críticas de seus pares. Uma mulher esguia e interessante o procura para reclamar o desaparecimento de 30 dias de seu marido, um proeminente notário parisiense. Maigret percebe uma grande frieza por parte de Natalie, a denunciante, e uma relação marital pouco convencional com direito às "escapadinhas" do sr. Charles, o nome de guerra de Gérard, pelos cabarés de Paris e uma vida "separada" do casal no mesmo apartamento luxuoso. Esta mulher perturba o comissário Maigret e Simenon transmite em seu texto esta angústia: infeliz, alcoólatra e rica. Por que ela insistia viver assim? Acredito que esta sensação é notada também pelo leitor. Mais um belo livro de Simenon que recomendo a sua leitura

