A autora elabora sua análise sobre o nacionalismo conferindo-lhe uma tripla dimensão: política, étnica e cultural. Afirma o Visconde do Uruguai e Sarmiento compartilhavam a mesma perspectiva política moderna de nação, ainda que tivessem concepções distintas sobre a relevância dos regimes monárquicos e republicanos. Indica como os dois autores empreenderam uma apropriação étnica da paisagem, reservando à história natural um papel signifinificativo que marcava “a originalidade” do brasileiro e do argentino frente aos europeus. Enfatiza o conteúdo cultural do nacionalismo que se expressava nas propostas sobre a questão da instrução pública e da imigração, moldando seus projetos de civilização e contribuindo para a constituição de identidades coletivas. Maria Elisa aponta para a construção dos Estados e das identidades nacionais como resultado de conflitos e negociações entre os diversos setores sociais, e entre propostas políticas regionais e aquelas que defendiam o poder centralizado. Valoriza adequadamente as tensões, dualismos e ambiguidades que nação/nacionalismo exprimiam e os novos sentidos que tomavam em diferentes contextos, mostrando “as relações entre discursos e práticas, entre valores e comportamentos, entre palavras e coisas”. Em uma palavra, este trabalho, muito bem sustentado teoricamente, é primoroso e constitui uma real contribuição para os estudos comparados e para a história intelectual da América Latina.