Guernica - A História De Um Ícone Do Século XX

    Gijs van Hensbergen

    José olímpio
    2009
    350 páginas
    11h 40m
    ISBN-13: 9788503010412
    Português Brasileiro

    Guernica relata a poderosa história da obra-prima de Picasso de 1937, uma tela que desde o seu nascimento, em plena guerra, tornou-se conhecida mundialmente como um grito simbólico pela paz. O aclamado biógrafo de Gaudi percorre desde o início a saga da pintura ícone da Guerra Civil Espanhola, seu uso como bandeira anti-fascista através dos anos, as exposições em diferentes países - inclusive no Brasil, na Bienal de São Paulo de 1953 - até virar o núcleo da coleção de arte moderna do MoMA, em New York. Apenas em 1981, a obra produzida no ateliê de Picasso em Paris, finalmente "repatriava-se" - seis anos após a morte de Franco, Guernica chegava à Espanha, no Museu Reina Sofia de Madri.

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    Allysson Falcon19/01/2017Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Excelente, apesar das derrapagens panfletárias do autor

    O livro "Guernica - A Tela de Picasso", de Gijs van Hensbergen é um trabalho acurado sobre as origens do mítico quadro do pintor espanhol e sua posterior história, com detalhes típicos de um drama moderno, na esteira das paixões conflitantes que a pintura causou. Por trás do tema do quadro, o bombardeio da cidade basca de Gernika, praticado pelos aviões de Hitler e Mussolini, está a sangrenta Guerra Civil Espanhola (1936/1939) e o mundo nos meses que antecederam a Segunda Guerra Mundial (1939/1945). O conflito fratricida espanhol dividiu, e ainda divide, corações, mentes e ideologias. O livro é extremamente bem escrito, detalha a vida de Guernica desde os primeiros esboços de Picasso. O autor denota ter um elevado conhecimento sobre o tema e a arte em geral. Dito isso, tenho de me ater ao grande problema do livro: o desenfreado partidarismo político do autor. Apesar de sua erudição, o holandês Hensbergen não consegue evitar que sua inclinação política contamine seu livro. Não deveríamos estar falando disso numa resenha de um livro de arte. Mas não deixa de ser algo curioso, que uma grande parcela dos chamados intelectuais tenham inclinações à esquerda. O motivo disso, apesar de causar estupefato, é profundo e merece um estudo mais sério, algo que não farei aqui. Um dos aspectos mais comuns a esses tais intelectuais de esquerda é que em sua ampla maioria eles são nascidos de famílias ricas, gostam de luxos modernos capitalistas e moram confortavelmente em cidades européias ou norte-americanas. Interessante que eles não residam na Coréia do Norte, na Venezuela ou Cuba. Umas das especialidades mais nefastas dos esquerdistas é mentir e distorcer a verdade. Como extremistas e fundamentalistas religiosos, eles consideram seus inimigos todos aqueles que não professam sua "fé". Hensbergen dá entusiasmados adjetivos elogiosos a todos os esquerdistas que são citados em seu livro, desde socialistas, comunistas e até mesmos os sociais-democratas. Inversamente, os personagens de alguma forma associados à direita, às forças armadas e ao regime de Franco são todos aquinhoados com termos depreciativos e, em alguns casos, até mesmo ofensivos. Por exemplo, em várias passagens no livro o autor cita Dolores Ibárurri, conhecida como "La Pasionaria" com largos elogios, de heroína a mártir. Essa senhora comunista espanhola, dentre outras sandices, defendia ardentemente que valia a pena matar 100 pessoas, mesmo se entre elas houvesse apenas 1 culpado e 99 inocentes. Importante ressaltar que, na ótica distorcida dessa gentil senhora, culpado era todo aquele que não fosse identificado como esquerdista. Felizmente para a Espanha e para a humanidade Dolores nunca teve poder algum na vida, se tivesse certamente seria uma genocida nos moldes de seus ídolos: Lênin, Stálin, Mao e outros assassinos congêneres. Não é possível ler o livro sem se irritar com esse partidarismo sectário do autor. Essa "escolha de lado" contamina e macula sua obra. Em razão disso o autor merece a alcunha de "esquerda caviar", termo tão bem aplicado a hipócritas desse quilate. O que poucas pessoas sabem é que, ainda que o quadro Guernica seja visto hoje como um libelo contra as guerras, a obra não foi um protesto sem fins lucrativos do pintor. Apesar de notório comunista, Picasso gostava sobremaneira de dinheiro e dos luxos da boa vida capitalista e nunca pisou num país comunista. De novo a hipocrisia típica. Pior, Picasso cobrou pelo quadro 150 mil francos franceses da cambaleante e endividada República Espanhola. Na época esse valor era uma pequena fortuna. Isso encerra nosso pequeno debate. Felizmente, Hensbergen confirma esse fato da venda do quadro, mas não faz nenhum juízo de valor. De novo, um comportamento típico. A Guerra Civil Espanhola assistiu atrocidades e massacres de ambos os lados, isso quase nunca é lembrado. Diante de tudo isso, fiquei incomodado ao ler Guernica, se o autor fosse imparcial e mais justo ele estaria prestando um enorme serviço à História da Arte, e seu livro seria melhor.

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