"Por favor, Nicholas, não vá! Você acabou de ser devolvido! Dê-nos uma oportunidade de ajudá-lo, meu filho! (...)
Ele subiu para a sela, preparou-se contra as lágrimas de sua mãe. "Eu lamento informá-la, minha senhora, que seu filho está morto." (tradução livre)
Este trecho da história representa um dos pontos divisores da vida de Nicholas Kenleigh, o herói da trama. Um herdeiro inglês radicado na Filadélfia, ex-tenente da armada britânica, agora um homem entre dois mundos, o civilizado e o não civilizado, na Fronteira Americana. Ele deixou para trás a sua família, o seu legado, o amor de sua mãe...
Por seis anos ele viveu assim, como caçador, meio branco, meio índio, sozinho, sobrevivendo, num território selvagem e violento. Ele intimamente procurava a morte, pois nunca conseguiu se libertar do seu passado. Antes disso, Nicholas foi feito cativo pelos índios Wyandot. A violência sofrida transformou sua vida para sempre. Devo dizer que fiquei surpreendida com o abuso sexual que ele passou, incomum para um homem, com consequências trágicas.
Foi assim, com esta alma conflituosa que ele encontra Bethie, uma jovem viúva grávida e sozinha. A heroína é tão jovem e sofrida. Ela foi abandonada pela família, conheceu a fome e o abuso. Ela não sabia o que era o amor.
A confiança demora a surgir, mas a sobrevivência une Nicholas e Bethie. O romance que vai se construindo é lindo. Um forte sentimento de proteção vai aos poucos se infiltrando no coração endurecido do herói, com isso vem o desejo, e o amor vai criando raízes. Com Bethie não é diferente. É impossível ficar indiferente à virilidade e a beleza do herói. Caros leitores, Nicholas é deslumbrante, força bruta e doçura num mesmo pacote. Há algo verdadeiramente encantador em um homem que move o céu e a terra para proteger uma mulher, capaz até mesmo de matar por ela, sem nunca apresentar um único gesto opressor, longe disso. Este herói de cabelos longos até as nádegas faz isso e muito mais.
Eu amo romances em que a descoberta do amor resgata a vida dos apaixonados. Nicholas era um homem cego para o amor. Ele não se preocupava com nada, nem mesmo com as lágrimas da sua mãe. Ele vivia sem alegria e matava sem remorsos. Enfrentar o passado e sentir novamente representou a cura para a sua alma ferida. O desfecho daquele diálogo que transcrevi no início ocorre na reta final da leitura. É muito emocionante.
Pois bem, o livro possui vários momentos de aventura, tensão e violência. Os protagonistas estão em meio a um conflito armado entre os povos indígenas, colonos e britânicos. Há um registro extraído de fatos reais – a autora menciona isso ao final – em que um capitão britânico entrega aos índios lençóis contaminados com o vírus da varíola, dando a entender que desde aquela época, a guerra biológica era uma opção.
Eu amei o livro. A escrita da autora é fluída e envolvente. Os personagens são muito bem construídos. Os cenários são quase reais, palpáveis. Uma história de amor marcante e inesquecível.
Recomendo com louvor.