RONALD BIGGS usufrui, há muito, em todo o Brasil e em boa parte do mundo, de uma popularidade capaz de, em valor absoluto, fazer inveja às maiores estrelas do cinema e aos maiores chefes políticos. Ter atingido essa popularidade significou porém, para esse homem, anos e meses, horas e até minutos vividos dramaticamente, banhado no suor da angústia, do medo, da revolta e do desespero. Por necessidade ou por vício, pelo traumatismo de uma infância vivida em plena II Guerra Mundial ou de prematura orfandade materna, por compromissos inquebráveis com o "submundo" ou pelo gosto de uma vida perigosa. RONALD BIGGS construiu, ao longo da sua existência, um tipo de comportamento em turbilhão. É esse turbilhão que sentimos, nervoso e vibrante, em A MINHA VERDADE. Escrevendo como se falasse alto, transparece do depoimento de RONALD BIGGS mais do que a realidade plena, a confissão íntima e total, capaz de fazer rir e de fazer chorar, de um homem que - dispensados os juízos de valor - tem algo de fascinante. Uma curiosidade: no primeiro emprego como Diretora de Artes, aos 22 anos, Lucia Judice recebeu a tarefa de criar a capa deste livro e quando leu a sinopse emperrou. Disse que não faria e não entendeu a motivação de se falar sobre um ladrão solto que a esta altura já morava com regalias, no Rio. "Não podia negar pois era minha primeira grande chance profissional. Disseram que eu teria que conhece-lo para que ele dissesse o que queria. Esta etapa eu recusei. Disse que faria sozinha e ele adoraria... e de fato adorou! Tudo bem que esta capa tem quase 33 anos mas, hoje, a vendo assim... acho que caprichei."