O livro narra as aventuras de um aviador mercenário durante a Segunda Guerra, lutando nas fileiras da França contra os árabes.
A narrativa é envolvente e descompromissada. Muitas vezes duvidei que as peripécias descritas tenham sido reais. O autor exalta muito seus feitos e é de um narcisismo notável, quase irritante. Mas é justamente essa narrativa meio boba, sem compromisso em fixar uma linha temporal, nem localizar bem o leitor no espaço, que prende a atenção.
Tanto momentos bem-humorados, como os tristes, são simplesmente citados, sem carregar qualquer peso dramático profundo. O autor se preocupa mais em descrever as cenas de ação durante o voo ou quando está "matando saudades" com alguma moça.
Não sei se intencionalmente ou por descuido editorial, a pontuação é terrível. Os períodos se alongam sem as devidas pausas. Imagino que isso deve ter sido mantido pela editora a fim de preservar o fluxo das memórias do autor (espero que tenha sido isso mesmo).
Outro ponto importante é a confusão moral do protagonista que, tendo amigos em ambos os lados da guerra, acaba perdendo o sentido de suas ações. Anseia por libertar-se, mas não quer abandonar o prazer de voar e de se aventurar.
Leitura fácil. Assim como o autor não teve o menor compromisso com a escrita, eu também não me comprometi na leitura.