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    Admirável Mundo Novo -

    Aldous Huxley

    Editora Globo
    1984
    270 páginas
    9h 0m
    ISBN-13: 9788525056009
    Português Brasileiro
    4.2
    57138 avaliações
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    Lançado no Brasil pela Editora Globo em 1941, surge agora, em novíssima edição, a obra-prima de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo, um dos monumentos incontestáveis da ficção científica e poética mundial. Se, naquela época, a profecia fantástica de um mundo de bebês de tudo de ensaio e de "felicidade" produzida em massa parecia longínqua e, felizmente para a raça humana, irrealizável, hoje ela já não nos parece tão impossível. E, por isso mesmo, torna-se muitíssimo mais preocupante. Neste livro que o consagrou como homem de ideias e de visão excepcional, Huxley satiriza as concepções sobre o progresso científico escudado apenas nos avanços tecnológicos, nos avanços da ciência, na medida em que afetam os seres humanos. Protesta seriamente através da moralidade desordenada de sua Utopia contra os "supostos" triunfos da física, da química e da engenharia, enquanto são desdenhados os da biologia, da fisiologia e da psicologia, justo aqueles que podem mudar completamente a qualidade da vida do homem no planeta, fazendo-a confortável ou então levando-a a um insuportável grau de complexidade que pode conduzir até à destruição final. O cérebro privilegiado de Huxley e sua viva imaginação produziram assim uma previsão de um futuro surpreendente e ameaçador, onde a aspiração de simplificar e estabilizar um mundo novo, o culto à máquina e à racionalização, criam uma humanidade que não conhece o esforço nem a dor, mas que suprime também o amor, as emoções, a arte e até mesmo a liberdade. Daí um tremendo e trágico contraste entre a Utopia e a Realidade. Nesta edição é apresentado um Prefácio do autor, datado de 1966, em que Huxley analisa sua posição como escritor amadurecido frente ao jovem de 1931, onde reafirma suas convicções de homem de espírito livre e colocado no mundo presente, a meio caminho da Utopia, e onde primorosamente condena todas as ideologias que tentam conduzir o homem à padronização. Este depoimento tão lúcido quanto apaixonado certamente será apreciado por todos aqueles que realmente acreditam pertencer ao gênero humano.

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    Pedro Henrique De Oliveira picture
    Pedro Henrique De Oliveira01/09/2020Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Resenha de Admirável Mundo Novo

    “Todo mundo é capaz de dominar uma dor, exceto quem a sente”. Tal frase foi proferida pelo famoso inglês, Willian Shakespeare e fala sobre um grande medo do homem, o sofrimento. Nesse contexto, é de se esperar uma fuga, mesmo que na maioria das vezes fracassada, desses momentos tão angustiantes, talvez, se o humano conseguisse uma maneira de escape perfeita dessa lástima, nós seriamos felizes, certo? Encontramos a resposta para isso no livro de Aldous Huxley, Admirável Mundo Novo. Explicando, a obra é sobre uma futura sociedade “fordiana” a qual, por meio de uma extensa evolução no controle da biologia, moldou todas as gerações à um sistema de produção. Agora, as pessoas não nascem mais de mães (palavra obscena no livro), mas de fábricas, pré-estabelecidas, com características as quais os dividem em castas enquanto, concomitantemente, os igualiza para adequarem-se em cada trabalho. Aliado a isso, aos condicionamentos mentais e físicos, é apresentado o ideal da droga chamada “soma”, um entorpecimento o qual não deixa ressacas ou arrependimentos, apenas contentamentos tolos. Aqui, em uma narrativa de terceira pessoa, acompanhamos Bernard Marx, um indivíduo o qual vê-se fora dos encaixes perfeitos de tal civilização distorcida. Apesar de ser o protagonista, Marx não é, de certa forma, o foco da história, mas sim o elemento ignitor para reflexão e contextualização do mundo o qual o escritor criara. Por conta disso, diversas vezes o personagem é simplesmente posto como secundário em meio ao aparecimento de novos sujeitos. Como consequência, temos uma espécie de afastamento empático do principal, porém, a imersão na realidade descrita torna-se forte e instigante. Tais atributos de profundidade são melhorados pela qualidade dos diálogos, sejam eles debates ou discursos. Pois, através deles, há a verdadeira introspecção do livro. Aqui, as conversas, principalmente entre oprimido e opressor, tomam o tom de uma espécie de “ensaio”, de maneira que, em certos capítulos, quase nos esquecemos do fato de estarmos lendo uma história e não um tratado sobre a futilidade da sociedade moderna. Ou seja, apesar de, como história, a obra funcionar muito bem, sua principal qualidade está no ato de propor uma discussão de forma indireta com o leitor. No livro, 1984, a principal forma de alienação era o ódio, em Revolução dos Bichos, a idolatria, na obra, Admirável Mundo Novo, o prazer. Em todas elas, no entanto, há algo em comum, um subterfugio da busca pela verdade, de um sentido, da percepção como indivíduo. Se vale a pena uma eterna fuga da realidade dolorosa enquanto nessa vida? Não. O problema é que muitas vezes a alienação não começa nessa dúvida, mas na certeza de bolhas ideológicas. Uma obra incrível, com narrativa, história e desenvolvimento envolventes, vale a pena a leitura. Siga-me no Instagram: @aprendilendo_ Para mais resenhas, acesse: aprendilendo.com.br

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