Hit The Road Jack -

    Felipe Pauluk

    Editora Faces
    2012
    116 páginas
    3h 52m
    ISBN-12: 978856360941
    Português Brasileiro

    Hit the Road, Jack, cuja narrativa se dá em primeira pessoa, está repleto de diálogos que nos remetem a uma peça em constante devir, a despeito de ser encenada no teatro de uma pequena cidade interiorana. O narrador, um balconista introspectivo vivencia a angústia e o tédio cotidiano de uma vida sem grandes perspectivas, no cenário de uma cidade obsoleta. A urgência em buscar uma mudança radical em sua vida insossa o leva a uma leitura muito particular do que o rodeia. É aí que surge em tapetes vermelhos Jack, a personificação da liberdade desenfreada em fazer da vida uma experiência sedutora de independência, incertezas e satisfação dos impulsos instintivos. Através do personagem de Jack, que também por ser considerado um jovem da geração beat, o balconista descreve os costumes de uma “cidade que não muda nunca”. Traça um paralelo entre os personagens monótonos e um pé de ipê, que integra a paisagem e, como os outros, nada faz para mudar. Então, é através de Jack, seu ídolo às avessas, que ele projeta um ideal de mudança a m de quebrar a monotonia de seus dias. Dias preso a um emprego medíocre na lanchonete do lugar e na também medíocre vidinha doméstica composta pela mulher enfadonha e pelo filhinho. Na ânsia de se igualar ao seu ídolo, acaba perdendo tudo em seu eu.

    Resenhas (1)Ver mais
    Angelo Lemos picture
    Angelo Lemos19/10/2019Resenhou um livro
    5 (Perfeito)

    Inspirador

    Hit the Road, Jack me impactou como um soco na boca do estômago de minha cabeça. Relata o cotidiano de um balconista, entediado, angustiado, que carrega sua vida (sem vida há muito) trancada dentro de um nada. Quando então surge Jack, o anti-herói, a chave libertadora dessa cidade que não muda. Será? Um romance bastante reflexivo e poético sobre as escolhas que tomamos, ilusões que criamos e o passar da vida, esta, feito um trem que você pega e nunca mais volta. Aliás, assim que terminei o livro, peguei minha mochila com as novas e velhas roupas reflexivas, desci do vagão, acendi um cigarro e voltei para casa num belo entardecer de sol.

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