Um fio de nada - Ensaio sobre a tolerância

    Diogo Pires Aurélio

    WMF Martins Fontes
    2010
    167 páginas
    5h 34m
    ISBN-13: 9788578272548
    Português Brasileiro

    A mesma razão que manda tolerar originou, ela própria, algumas das mais ferozes manifestações de intolerância no século XX. Afinal, a cultura e o humanismo também segregam a barbárie, tal como haviam feito e continuam a fazer as religiões e a simples natureza. Do ponto de vista teórico, a consistência dos laços sociais e a espessura do fio que liga entre si os diversos indivíduos e comunidades é extremamente frágil, um fio de nada. Sem ele, porém, as nossas sociedades transformar-se-iam num arquipélago de convicções mutuamente ameaçadoras. O que está aqui em causa é precisamente esta ambiguidade: sabemos que temos de tolerar, sabermos que nem tudo pode ser tolerado, e não sabemos onde traçar exatamente a fronteira entre o tolerável e o intolerável.

    Resenhas (1)Ver mais
    Doney Corteletti Stinguel picture
    Doney Corteletti Stinguel15/10/2017Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Lista de livros: Um fio de nada, de Diogo Pires Aurélio

    “No fundo, continuam os críticos da tolerância a alegar, tolera-se hoje mais por falta de convicções próprias que por respeito pelas convicções alheias. É, por assim dizer, uma homogeneização negativa, tolerante mas tendencialmente vazia.” * “A diferença e a heterogeneidade é que são o verdadeiro apanágio do homem.” * “A razão, como se pode ver pela história do pensamento e a variedade de doutrinas, é incapaz de fornecer uma verdade universalmente aceita sobre as questões essenciais ao homem. A revelação, por seu turno, apresenta-se em mais do que um livro sagrado e, para cada um desses, existe ainda uma infinidade de interpretações, pelo que tampouco poderá ser invocada como chave da sabedoria ou tábua da lei. Assim sendo, a imposição de uma opinião ou de uma norma de comportamento jamais poderá reivindicar qualquer espécie de legitimidade e remeterá sempre para o domínio da violência. Dito de outro modo, por natureza, cada um tem o direito de viver como achar melhor e de sustentar a “verdade” que entender, ainda que esta não passe, para todos os outros, de um simples erro.” * “Não é a história que nos pertence, somos nós que pertencemos à história. Muito antes de acedermos à compreensão de nós mesmos pela meditação reflexiva, nós compreendemo-nos de maneira irrefletida na família, na sociedade e no Estado em que vivemos. O foco da subjetividade é um espelho que deforma [...]. É por isso que os preconceitos do indivíduo, muito mais do que os seus juízos, constituem a realidade histórica do seu ser.” (H-G. Gadamer) * Mais em:

    50 curtidas

    Estatísticas

    Avaliações

    3.4 / 4
    • 5 estrelas25%
    • 4 estrelas25%
    • 3 estrelas25%
    • 2 estrelas25%
    • 1 estrelas0%