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    Um romance de geração - Teatro-ficção

    Sérgio Sant'Anna, Sérgio Sant'Anna

    Companhia das Letras
    2009
    120 páginas
    4h 0m
    ISBN-14: 9788535914535_
    Português Brasileiro
    3.5
    38 avaliações
    Leram50Lendo3Querem51Relendo0Abandonos0Resenhas3
    Favoritos2Desejados51Avaliaram38

    Lançado originalmente em 1980, Um romance de geração tem a estrutura de uma peça de teatro - mas é um romance. Vindo de Minas Gerais, o escritor Carlos Santeiro mora em Copacabana, num minúsculo apartamento alugado. O fato de ser autor de um livro de sucesso não o impede de atravessar uma crise total: afetiva, existencial e literária. É nesse estado de espírito que recebe a visita de uma jornalista que escreve uma matéria sobre a literatura brasileira do período da ditadura e da pós-ditadura. Santeiro transforma a entrevista num ato teatral incisivo - um romance breve de sua geração -, questionando sua vida, seus amores, seus ideais estéticos e políticos, sua utopia revolucionária, sua solidão e seu alcoolismo. Contrapondo constantemente a experiência pessoal à peça de um amigo, Santeiro/Sant'Anna se move num mundo que funciona como um jogo de espelhos. Nele, os elementos se confundem e a experiência não gera uma ideia de futuro: uma e outra vez surge a mesma parede cega que parece ser a herança dos que acreditaram nas utopias dos anos 1970.

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    Resenhas (3)Ver mais
    Berttoni Licarião picture
    Berttoni Licarião25/09/2018Resenhou um livro
    3 (Bom)

    Tenho enorme preguiça de falar sobre esse livro e sei o quanto é deselegante começar assim. Não porque ele seja uma leitura ruim, um mau livro, um desperdício de tempo. Não não, nada disso. A leitura atenta de Um romance de geração revela inúmeras camadas de sentido muito bem sobrepostas, o que torna qualquer análise mais profunda um labirinto bem arejado e luminoso, mas sem saída. Publicado em 1980, nos anos de esfriamento da máquina ditatorial, o livro está dividido em duas partes: a primeira é um texto teatral em um ato com duas personagens (um escritor e uma jornalista) que viram a noite no apartamento dele, entre bebidas, flertes e reflexões sobre arte, vida, ditadura. A segunda, um posfácio em que o autor apresenta a proposta da peça em sua integridade (originalmente, seriam três atos) e entrega ao leitor (ou ao público, a ambiguidade sobre o posfácio fazer parte da peça não pode ser descartada) possíveis chaves de interpretação tanto de leitura quanto de montagem do espetáculo. . Na peça, uma jornalista visita um escritor em crise para uma entrevista. A própria entrevista, no entanto, nunca chega a bom termo, mas o encontro, com seus textos dentro de textos, peças dentro de peças, elogios à performance dos atores e declamações grandiloquentes acaba virando, ele mesmo, um ato teatral, ou o grande romance da geração pós-64 na fantasia do escritor-personagem. . Minha indisposição para falar sobre esse livro vem, de certa forma, desse transbordamento metalinguístico que marca fortemente as duas partes da obra. Bem versado, o autor distribuiu por seu texto (sem frugalidade alguma) inúmeros dispositivos desconstrutores: se o acusam de empostado e pretensioso, o texto reage com “Bravo, essa é a intenção”. Se parece machista e misógino, “Bravo, essa é a grande crítica da obra”. Se não passa de um inócuo jogo cênico de espelhos, “Bravo, você descobriu o segredo”. Labirinto sem saída, tenho dito. E tenho preguiça. . Mas talvez seja apenas desânimo pelos 20 milhões de itens consumidos pelas chamas de nossa complacente ignorância.

    2 curtidas

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    3.5 / 38
    • 5 estrelas8%
    • 4 estrelas39%
    • 3 estrelas47%
    • 2 estrelas5%
    • 1 estrelas0%
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    Sérgio Sant'Anna

    A obra de Sérgio Sant'Anna é notória pelo caráter experimental, abordando temas urbanos de várias formas diferentes, algumas bastante transgressivas. Seu romance mais célebre é As Confissões de Ralfo, publicado em 1975. O livro é a história de um escritor que decide escrever uma "autobiografia imaginária", narrando vários fatos extraordinários numa sucessão inverossímil. O livro satiriza vários estilos consagrados: o diário de bordo, o filme de ação, o discurso utópico e, até mesmo, no auge da ditadura militar brasileira, os relatos de tortura. Em uma das cenas mais famosas do livro, o protagonista é preso por mendicagem e posto num interrogatório em que as perguntas são do tipo que se faz na escola ("Quem descobriu o Brasil?", etc...). Dentre seus contos mais famosos incluem-se Um discurso sobre o método, Marieta e Ferdinando, A mulher-cobra, Estranhos e O vôo da madrugada. O autor já ganhou por duas vezes o prêmio Jabuti e, também por duas vezes, foi agraciado com o prêmio Status de Literatura, além de ter traduções de sua obra lançadas na Alemanha e na Itália. Faleceu vítima da pandemia de covide-19, no dia 10 de maio do ano de 2020.

    35 Livros
    22 Seguidores
    Rio de Janeiro, Brasil

    Sérgio Sant'Anna