Ah que obra prima dos romances medievais!
Sabe quando você ama um livro? Ama mesmo, cada pedacinho dele? Eis o meu caso com Shadowheart.
Na primeira vez que o li confesso que muitas situações do livro me deixaram confusa, era como se eu estivesse vendo a parte final de uma história do qual o começo me era um mistério. Mesmo assim eu amei Shadowheart e disse a mim mesma que iria ler o livro anterior, For My Lady’s Heart, para embarcar em uma releitura desse livro.
Pois bem, lido For My Lady’s Heart e tendo terminado minha releitura, não posso deixar de dar o meu testemunho sobre essa maravilha.
Shadowheart começa uns onze anos depois dos acontecimentos finais de For My Lady’s Heart, começamos a conhecer verdadeiramente a Elena (irmã da Cara que havia sido sequestrada pelos Riata) e a primeira vista ela não me impressionou muito, ela fazia jus a sua idade demais, mas tudo isso era devido à falta de lidar com o mundo. Ela vivia com sua irmã e cunhado em Savernake na Inglaterra e nunca saiu desse bosque, primeiro porque sua irmã Cara (devido aos acontecimentos em For My Lady’s Heart) tinha muito medo por ela e o segundo motivo... Elena era a última descendente da linha real do principado de Monteverde. Ou seja, Elena era uma princesa, e não sabia.
Após descobrir esse fato ela é rapidamente induzida a aceitar contrair matrimônio com Franco Pietro Riata (com a desistência de cargo da anterior princesa a Melanthe e o caos que se abateu sobre os Navona, os Riata se aproveitaram para se apoderarem de Monteverde com Franco Pietro como governante) e nisso ela embarca em uma viagem de navio até Monteverde, para se casar.
A Elena, totalmente despreparada para o posto de princesa, não quer de forma nenhuma se casar ou ser princesa, mas todo o rumo de sua vida muda quando ela é sequestrada pelo Corvo, Allegreto Navona. Allegreto que tem como objetivo casar-se com Elena, vingar-se dos Riatas (principalmente de Franco Pietro), restaurar a integridade da casa Navona e governar Monteverde.
A partir daí acompanhamos todo o desenrolar de acontecimentos que se seguiram no decorrer dos anos que se passam depois da conclusão do livro anterior, e a Elena por fim começa a mostrar sinais da grande governante que estava destinada a ser.
O Allegreto é um assassino, criado pelo pai para ser o que podemos classificar como “vilão”, um ser impiedoso pronto para cumprir ordens sem pestanejar, e temer aquele responsável pelo que ele é: seu pai. Mesmo depois de anos vemos momentos em que o Allegreto ainda é atormentado por isso, a Elena que deveria ser apenas um instrumento para concluir seus objetivos, acaba se tornando muito mais. Aos poucos, ela floresce em uma grande mulher que de forma inevitável ganha de forma completa o coração que o Allegreto diz não ter.
Eu amei o Allegreto, ele é de longe um dos melhores personagens/vilões bem construídos que já li, mas é inegável que nesse livro quem brilha é a Elena. Com o decorrer do livro ela se torna tudo aquilo que não era no começo por se reprimir: poderosa, cheia de inteligência, uma pessoa capaz de ganhar a adoração do povo que deve governar; e claro, nos ganhar, fazer com que nós leitores vibremos por todas suas conquistas adquiridas, com toda a luz que ela traz para o obscuro Allegreto.
Eu adoraria falar mais e mais de tudo desse livro, mas prefiro terminar dizendo: Leiam, esse é um grande livro. Um dos mais lindos romances que já li.
PS: As cenas íntimas desse livro fazem qualquer erótico atual passar vergonha. A Laura dá um show em cada parte desse livro, é assim que se escreve um livro, com tramas engenhosas, personagens apaixonantes e é claro, finais arrebatadores.