A MORTE NÃO INTERROMPE A VIDA -

    LUIZ DE SOUZA

    EDITORA LUA NOVA LTDA
    1990
    193 páginas
    6h 26m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    O vocábulo "morte" é uma impropriedade admitida em todas as línguas, que tem como significado a cessação da vida. Se considerarmos, porém, que nada morre no Universo, por ser a vida real eterna e não temporária – e a vida real é a partícula da Força ou Inteligência Universal que, quando em acionamento do corpo humano, denominamos espírito – essa cessação nunca se deu, nem jamais se dará.Erram os que atribuem até mesmo vida inferior à matéria,confundindo a energia física, de que é ela dotada, com a Força Inteligente,em evolução, que organiza corpos e realiza fenômenos, inclusive os de movimento. Não fora a ação da Força sobre a Matéria, e esta se desintegraria, como acontece com os corpos materiais dos animais, quando se rompem os laços fluídicos que lhe transmitem o calor e a vida. Aqui também é empregado esse vocábulo, em atenção ao seu uso generalizado, mas exclusivamente com o significado de desencarnação, isto é, do abandono do corpo pelo espírito.

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    Carla Parreira09/10/2023Resenhou um livro
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    A morte não interrompe a vida

    📚 O livro enfatiza que o bem é universal, pertence a todos, e a ninguém caberá doá-lo como se fosse propriedade sua. O domínio de si mesmo encontra-se na faixa dos atributos evoluíveis de natureza espiritual, e está intimamente ligado ao grande domínio exercido pelo poder total. Acho muito positivo saber que toda a conquista no terreno da espiritualidade não se perderá nunca, e será cabedal valioso para escalar novos e mais elevados píncaros. As atividades espirituais exigem procedimentos e atitudes compatíveis com as normas da boa moral, da nobreza de caráter e da consciência dos deveres, tanto na vida publica, como na particular. Enquanto as criaturas estiverem dominadas pelos sentidos da matéria, não terão rumo, andarão ao léu, não saberão de onde vieram nem para onde vão e, muito menos, porque vivem, quem são, que relação há entre o passado e o presente, e entre este e o futuro. Ninguém pode atingir o ponto de partida para o curso da espiritualidade, sem haver evoluído o bastante para aceitar, com prazer, as condições de vida que ele impõe. E ainda é válido lembrar que a única arma eficaz contra as hostilidades do mundo, é a que se maneja com as regras da espiritualidade. Quanto mais puro e intenso se manifestar o amor, como expressão do sentimento do espírito encarnado, mais próximo estará o ser da sua comunhão com a força criadora. O espírito é um agente de ação permanente de grande força em potencial, por meio da qual imprime em seu corpo físico os traços predominantes da sua natureza, o reflexo da sua pouco ou crescente espiritualidade. O espírito deve demonstrar em qualquer das duas formas físicas, masculina ou feminina, a sua fortaleza espiritual adequada, o seu poder de renuncia e a sua capacidade de suportar, com nobreza, as duras provas que estão reservadas para cada sexo. Nenhum espírito evoluído acima dos planos primários, pode ser sentimentalista, porque tem noções da vida que o obrigam a encarar os fatos com discernimento elevado. Pode ter e terá maior sensibilidade de percepção, que é a capacidade de sentir o que os olhos da matéria não revelam. Os que se dedicam ao espiritualismo passam, às vezes, por criaturas exóticas, diferentes, estranhas ao bulício da vida. Experimentam essa sensação os que não pode irmanar-se com os que evoluíram acima do seu plano e, portanto, do seu entendimento. O espiritualista só não compactua com as más ações ou a imoralidade; no mais é um ser adaptado a qualquer ambiente. O seu mental está em cotidiano contacto com as correntes do seu plano espiritual, onde não há lugar para as inquietações. Isto não quer dizer que o espiritualista não tenha inquietações de nenhuma espécie na Terra, mas que num mundo em que elas fervilham, muitas e muitas são afastadas e outras consideravelmente diminuídas. O espiritualista disciplinado e militante, consciente de sua posição no mundo e dos riscos que o cercam, faz jus à assistência astral superior, da qual se vale para afastar as inquietações. Uma vez que todos estejam bem assistidos pelas forças superiores, não há lugar para o temor, pois tudo quanto vier a acontecer, dentro desse esquema, será para o bem do individuo, e essa convicção produz tranqüilidade e paz, situação oposta à que dá a inquietação mais ou menos exaltada, que nada resolve para melhorar. A calma e a ponderação produzem argumentos judiciosos, em momentos difíceis. Quase sempre a inquietação provém da falta de confiança em si, e também nas leis universais. Tudo está dirigido no universo, onde não há acaso. Logo, as coisas na vida, respeitado o livre arbítrio, acontecem, segundo essas leis imutáveis, e, uma vez que se ande em paz com a consciência, nada deve inquietar. O dia de amanha, com as suas incógnitas, é outra fonte de inquietações. Jesus Cristo notava essa inquietação no semblante das multidões. Então, para fazer com que meditassem, mostrava-lhes o exemplo dos pássaros, tão lindamente vestidos com as suas plumagens, nutridos graciosamente pela natureza providencial, e dizia-lhes que se os pássaros, situados numa escala de evolução muito abaixo da do ser humano, se encontravam plenamente amparados pela força da natureza, exibindo-se aos olhos humanos tão ataviados e alimentados, como iria o homem descrer de si mesmo, da sua evolução, da assistência do astral superior, para duvidar desse grande poder e inquietar-se, como se não fora uma articula inteligente da inteligência universal? Além das pessoas que se preocupam à toa, aquelas cujas queixas se fazem constantes, atraem um estado mórbido para a sua natureza, criando em torno de si, um clima de angustia ou de consternação, e fazendo um papel de vitima, que excita a compaixão. Quem paga dívidas não geme, antes se alegra. Pode admitir-se a tristeza, ao adquirir a divida, mas a sua liquidação traz sempre euforia e prazer. O lamuriento é, pois, um cego espiritual que está sempre descontente, um insatisfeito que ambiciona o que os outros têm de bom, e sente-se infeliz com as suas próprias carências. O período de uma existência terrena, representa tudo para ele, de modo que esgotado esse período, pensa que está, de uma vez por todas, inibido de alcançar aqueles anseios que a sua alma acalenta, anseios irrealizáveis na sua existência presente, mas, de certo modo, exeqüíveis em vidas posteriores, se não tiverem o aspecto de uma fantástica utopia. Ninguém precisa, para vencer na vida material, ser desonesto, trapaceiro, espertalhão, afinal, os que melhor vencem na vida são aqueles que têm presente e passado limpos, que são acreditados, que desfrutam de ótima reputação e não têm porque temer os riscos da lei do retorno. As oportunidades favorecem ao individuo, na proporção do seu desenvolvimento espiritual e das possibilidades de que dispõe. Assim, o que é oportunidade para um, pode não ser para outro, porque cada qual está rigidamente peso ao seu passado, não sendo o presente mais do que uma projeção dele. Não é preciso forçar, angustiosamente, para que as oportunidades surjam; elas obedecem às normas de espontaneidade e percorrem os caminhos certos, e todos devem manter-se alerta e vigilantes, para reconhecê-las, sem se descuidar de alimentar a luz espiritual, cujo facho as desvenda. De cada vez que se passa de um estado inferior a outro imediatamente superior, dá-se uma renovação. Acontece que quando a renovação se opera na ordem material, o agente se envaidece, se exalta, se considera maior, mais poderoso; diferentemente, quando a renovação se dá na ordem espiritual, o individuo se torna mais simples, mais consciente da grandeza universal e de si mesmo, em relação a ela. Não há situação, por difícil que seja, da qual a criatura não possa sair para alcançar posição melhor; depende dela própria dispor-se a isso, devendo, para tanto, valer-se dos recursos individuais adormecidos, o que se consegue pelo revigoramento das forças espirituais latentes, que todos possuem em idênticas proporções. Também dia o livro que a prudência está na força do espírito, força que sacrifica o bem imediato e efêmero, quase sempre ilusório, pelo bem resguardado e eterno. A imprudência olha só o presente, enquanto a prudência examina o presente e penetra no futuro, por não lhe escapar a lei das conseqüências. A prudência obriga o individuo a acalmarse, a dominar os nervos, a controlar os ímpetos, a proceder com serenidade. Todos os seres caminham para atingir o mais alto grau de serenidade, pois não se concebe um espírito de elevada hierarquia espiritual que não a possua, plenamente. A paz e a tranqüilidade de espírito convidam à serenidade, por onde se vê que esta virtude está sempre envolta por uma série de outras virtudes, que consolidam a posição da criatura na sua trajetória terrena, em bases de segurança e firmeza. A simplicidade é outro aspecto dos espíritos evoluídos, formada no individuo através de milênios, apurada de encarnação em encarnação, no curso de milhares delas. A simplicidade é coerente, tolerante, moderada, prudente, comedida e respeitadora. Pede limpeza, esmero, decência e apuro. Exclui o supérfluo, o aparato, a ostentação e o luxo, para só prevalecer à utilidade, na sua forma simples e indispensável. As encarnações e desencarnações, os sofrimentos e as alegrias, a saúde e a enfermidade, afloram das correntes da obediência. As coisas acontecem em obediência a um agente promotor. A lei de causa e afeito traz no seu vigor atuante o cunho da obediência. Aceitar e obedecer às leis da vida, é colocar-se a criatura sob o manto do poder supremo. Tornar-se forte e valoroso em espírito, é adquirir coragem, é vencer embarcações, é transpor obstáculo que para muitos podem parecer intransponíveis. A vida, vivida com coragem, é mais amena, mais bela, mais adornada de encantos. A coragem é, pois, um vigoroso acervo que, uma vez adquirido, nunca mais se perde.

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