E foi em 1998, com Kara no Kyokai: The Garden of Sinners, que Kinoko Nasu começou seu multiverso fabuloso. E é neste volume, mais precisamente em Paradox Spiral, correspondente ao quinto capítulo da série, que foram introduzidos pela primeira vez diversos dos conceitos fundamentais às obras posteriormente produzidas pela TYPE-MOON e ao Nasuverse como um todo; A Counter Force, dividida em Gaia e Alayashiki, a Espiral da Raiz, toda a mitologia dos magos, incluindo elementos como Verdadeira Magia, tudo teve sua origem aqui e viria a fazer parte, por exemplo, das obras Tsukihime e Fate/stay night.
O segundo volume se inicia com o quarto capítulo, The Hallow, que, embora bastante fundamental e legal de ler, é consideravelmente curto e cede o espaço para o verdadeiro destaque que é o capítulo seguinte, Paradox Spiral.
A narrativa nesse quinto capítulo, contando com um ritmo bastante rápido, é de prender totalmente a atenção durante a leitura. O enredo e os conceitos por trás dos elementos presentes na história, como o próprio Complexo de Apartamentos de Ogawa por onde roda o mistério e a maior parte da ação, são muito intrigantes e induzem a todo momento o pensamento de "que diabos está acontecendo?", fazendo com que os instantes das revelações (com exceção daquelas que ficarão para os capítulos do próximo e último livro) sejam surpreendentes e excitantes.
O texto passa todo o sentimento de bizarrice e intriga presente dentro do prédio de Ogawa e, também, a presença inabalável e a autoridade que envelopam o antagonista principal, Souren Araya, dando a cada aparição dele o acompanhamento do anseio em saber quais são as ações e falas que o mago em preto reserva.
Não bastasse isso, as cenas de ação, com direito a duelos estratégicos de magia entre magos, além das batalhas participadas pela protagonista Shiki Ryougi e sua faca, são extremamente empolgantes e impactantes.
A obra inicia com tudo, 20 anos atrás, o grande universo do autor Kinoko Nasu, que futuramente trouxe outras grandes obras, como meu querido Fate/stay night. Mesmo estando banalizado e totalmente vendido atualmente, resumido praticamente a uma única série (desconsiderando Mahou Tsukai no Yoru que era pra ter saído antes de 2010 e viu a luz somente em 2012, com duas sequências prometidas que até hoje carecem de qualquer anúncio ou informação) desde meados de 2011, quando houve o boom da adaptação em anime do livro Fate/Zero, e sendo o jogo mobile Fate/Grand Order o expoente máximo desse estado lamentável vigente, esse incrível mundo ficcional popularmente intitulado de Nasuverse é minha maior paixão na ficção.
5 estrelas para Kara no Kyoukai, livro 2.