Vozes do Cristianismo Primitivo - O Cristianismo Como Movimento que Celebra Sua Unidade na Diversidade. Feito por indivíduos comuns. Rumo à institucionalização.

    E. Glenn Hinson, Paulo Siepierski

    Arte Editorial
    2010
    170 páginas
    5h 40m
    ISBN-13: 9788598172835
    Português Brasileiro

    Talvez a questão ocorrida com mais frequência na mente dos cristãos quando se deparam com a análise da história do cristianismo primitivo seja: ''Qual a importância de tal estudo? Não é suficiente estudar o Novo Testamento?'' Esse é um bom questionamento e exige uma resposta honesta. É verdade que o cristianismo é resultante da vida, ensino, morte e ressurreição de Jesus Cristo. Também é verdade que a fé dos primeiros seguidores de Jesus está registrada nos escritos neo-testamentários. Mas essa fé alcançou outras pessoas e transformou mentes e corações, provocando uma revolução social sem paralelo na história da humanidade. A civilização ocidental, como a conhecemos hoje, é fruto de tal revolução. Para a compreensão do mundo em que vivemos, é fundamental entender a transformação social perpetrada pelo cristianismo primitivo.

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    EWERTON AMARAL FERREIRA23/11/2015Resenhou um livro
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    História da igreja ou da libertação?

    Vozes do Cristianismo primitivo é um livro onde os dois autores fazem uma exposição histórica dos primeiros séculos da igreja sob uma perspectiva crítica acerca da interpretação tradicional, propondo a análise social dialética como o metódo adequado. Os autores afirmam que a história que chegou ao nosso conhecimento deve ser questionada quanto à sua validade, pois ela foi documentada através da ótica dos ricos, não mostrando assim a verdade por completo, mas agindo de forma parcial. Vemos isso na pág. 115: " somente os poderosos tiveram a habilidade de preservar seus registros para a posteridade. Portanto, a história dos poderosos passa a ser a História". Outro ponto que fica bem claro no livro é a cosmovisão marxista dos autores que foi desdobrada na teologia da libertação. Palavras como: oprimido, libertação, desigualdade, dominação, luta, classes etc, se tornam comuns no discurso a partir da metade do livro até o final, e o que parecia uma ambientação à patrística toma o tom de uma defesa à teologia da libertação. Senti também que a parcialidade em se retomar os fatos históricos influenciaram a exposição mais honesta, pois o autor diz na pág. 17: " As igrejas primitivas, ao contrário das práticas atuais, batizavam em água corrente, imergindo o batizando três vezes, respectivamente, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ". Essa afirmação do Dr. Paulo Siepierski é taxativa e exclusivista quanto ao método de batismo, e usa o capítulo 7 da Didaqué como nota, porém fiz questão de analisar na Didaqué a continuação do referido capítulo, onde dizia: " Se você não tem água corrente, batize em outra água, se não puder batizar em água fria, faça-o em água quente. Na falta de uma e outra, derrame três vezes água sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo" (Patrística, Ed. Paulus, p. 352) Qual a motivação da negligência quanto à sequência do documento? Será que sua perspectiva batista pode sobrepor os relatos de outras fontes? Não sei, mas isso me deixou atento quanto à parcialidade na abordagem. Outro texto que acredito carecer de fonte e que não foi citada, está na pág. 19, onde lemos: " Miguel Serveto, queimado vivo em Genebra por ordem de Calvino ". Uma afirmação dessas necessita de autoridade, mas sabemos que esse fato também é bem contraditório, pois quando acontece algo "por ordem" denota uma ação do sujeito, o que é bem diferente de um fato que acontece por omissão dessa mesma "ordem", ou seja, Calvino ordenar a morte é diferente de deixar de utilizar sua "influência" para salvar Serveto, temos aí duas condutas questionáveis, uma ativa e outra onde a omissão prevalece, as duas são ainda motivo de debate histórico e deveriam ter sido citadas pelo autor, pois ele fez essa afirmação sem fonte primária. Na pág. 72 lemos: " Celebração da eucaristia, incluindo algumas vezes a distribuição de leite e mel... Remoção de toda a roupa para batismo em nudez". Não foi citada fonte. Na pág. 75 o autor diz que devemos: " desenvolver celebrações que tornem o batismo relevante para a nossa situação. Especificamente, devemos modelar celebrações que sejam pertinentes aos modernos problemas de desumanização, despersonalização, etc" Os liberais vibram com tal ponto de vista. O restante do livro segue o discurso da utilização da interpretação histórica para libertação dos oprimidos e na subjetividade e multiplicidade de significados da história. Impossível gostar desse relativismo da pós modernidade. Principalmente para quem queria de ler um livro de história da igreja - somente.

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