“Eu te amo pelo que você faz para me manter a salvo”
Singelo e honesto, Kirman começa este volume com uma declaração sincera de filho para pai. Embora selvagens num mundo selvagem, parece que os laços familiares ainda permanecem firmes o suficiente.
O restante do volume abre o arco de Alexandria, um povoado de sobreviventes à catástrofe aos arredores de Washigton, DC. uma vez descoberto a mentira de Eugene, o grupo percebe que não há remédios para o que se vive - sim, é o caos, o inferno, a realidade. Não há esperança de mudança.
Ou há?
O enredo brinca com a desconfiança diante da gentileza, do urbanismo e de gesto comunitários. Há em Alexandria um ar de falsidade e cinismo no ar: Aaron, o captador, parece muito gentil, o deputado Douglas, que conta a Rick uma fábula (ou um aviso?) sobre um pai maldoso que simplesmente decide arrancar os olhos da criança. Sempre educado e solícito, algo parece estranho. Nesse mundo de ilusões e perdas, há confiança suficiente para se perceber humano?
Em Alexandria, festas de haloween, o menino Ron com o olho ferido (a fábula?), as festas de celebração, um cinismo cotidiano que evidencia a proteção: é mais arriscado viver na ignorância dos muros ou fora deles?
De fato, é preciso sangue nos olhos para sobreviver ao mundo despedaçado.