Hipócrates, o pai da medicina caracteriza a melancolia como alguém sobre a influência de Saturno, o Cronos grego, senhor do tempo.
Freud vai além, para quem a melancolia é como o luto, mas sem perda que a caracteriza, ampliando seu vazio.
No Romantismo, a melancolia era um estado emocional apreciado, pois representava uma experiência que enriquecia a alma.
Melancolia de modo geral define um estado emocional caracterizado pela sensação de impotência, inutilidade, pensamentos negativos e as até mesmo ideias constantes de morte.
A celeridade do tempo, luto e morte, luta, vazio, perda, impotência, negativismo. Se este é um pouco do escopo de temas sobre os quais Agatha de Assis se debruça em seu livro, muito diferente é a atitude que o eu lírico adota diante deles.
Crônicas aparentemente fragmentadas, vão ganhando corpo na medida em que avançamos por suas páginas, e assumindo dimensão de uma grande investida sobre o que propõem.
É difícil não pensar que de algum modo estas crônicas-cartas não se tratem do processo de aprendizado e amadurecimento da própria autora, posto que em cada uma de suas linhas o verbo está em carne nua, empunha sua emoção como lança e uma fé no melhor como verdadeiro escudo.
A voz que encontramos em Melancolia é bem a garota da bela capa de sue livro, e vejo-a atravessando a densa floresta negra "que se insinua no canto inferior direito" com determinação, tendo seus olhos presos na coruja (a própria sabedoria personificada) lá no fim da trilha, onde a floresta é superada.