Alguns tentam provar que as diferenças sociais são determinadas por fatores biológicos. Outros explicam que o racismo surgiu da necessidade de justificar a agressão. Seria verdade? Faria o racismo parte da natureza humana? Neste livro, os primeiros passos para a compreensão deste fenômeno universal, suas modalidades e suas implicações sociais.
O que é racismo (Coleção Primeiros Passos #8) -
Joel Rufino dos Santos
Isso não é exatamente uma resenha, mas sim uma síntese das ideias do livro somadas às minhas impressões sobre elas. Como um guia pessoal meio desorganizado que eu escrevi enquanto lia "O que é Racismo", para poder me situar melhor nos pensamentos. Impressões sobre "O que é Racismo", de Joel Rufino dos Santos. Parte 1 - A origem do racismo O racismo é uma forma de dominação, que o homem encontra para defender sua propriedade. O racismo agride para defender e justifica essa agressão. O racismo é filho do capitalismo, pois com esse veio o auge da propriedade privada, o auge do homem obtendo coisas que ele quer defender. Mas por que ocorre principalmente contra negros? Por coincidência. No colonialismo, as potências europeias precisavam defender suas riquezas. Para isso, necessitaram de força de trabalho, que encontraram nos continentes do Sul (África, Ásia e América). Surgiu, assim, a Divisão Internacional do Trabalho (DIT), dominação de alguns países (povos) sobre outros. Países brancos sobre países de cor. E os países brancos, para manter sua dominação de forma justificada, usaram o racismo, que se inflou cada vez mais até se espalhar pelo mundo todo, pelos países dominados e pelos países dominantes. Parte 2 - Características do racismo no Brasil O brasileiro tende a negar ou esconder o racismo e se justificar quando é pego sendo racista. Ele acha que quem fala sobre, quem admite o racismo, é diferente, é um subversivo, um militante, porque o brasileiro está acostumado a ideia de esconder o problema. A partir de 1930, o racismo começou a aparecer mais no Brasil, pois o capitalismo cresceu (com Vargas e a nova ordem econômica). Se antes os negros não representavam concorrência (eram apenas negros, incapazes de formar patrimônio, incapazes de ser ameaça), eles passaram a ter mais oportunidades de representar. Assim, o racismo foi mais necessário, como forma de tentar manter o negro na opressão, "em seu lugar". O aumento da competição torna mais favorável o aparecimento e a expansão do racismo. Um jeito de esconder o racismo é culpar o negro pela sua "incapacidade" de subir na vida, usando argumentos como: "eles acham que não vão conseguir porque são negros, então nem tentam. Mas, veja como eu não sou racista, eles são sim capazes, existem negros ricos e de sucesso. Se todos os negros pensassem que podem subir na vida independentemente da sua cor, eles conseguiriam." Isso é dizer que o próprio negro é racista, que ele tem um complexo de inferioridade por causa de sua cor, mas isso é uma verdade adulterada. O motivo de poucos negros subirem na vida é que as pessoas de cor têm menos oportunidades; os brancos os oprimem como o burguês oprime o proletário. Existe também o pensamento de que o negro tem suas funções definidas na sociedade. Negros devem ser empregados, e não médicos, nunca médicos. E quando um negro vira médico, ele é atrevido, é ousado, é metido, é ganancioso. Outra forma de racismo é a domesticação. "Esse é meu amigo, ele é negro mas tem pós-doutorado (é um negro domesticado)". Parte 3 - Mais sobre o racismo brasileiro A discriminação não é social, é racial, pois no Brasil, querendo-se ou não, pobre e negro é basicamente a mesma coisa. E o brasileiro está acostumado a ver pobres/negros serem tratados como lixo, o que faz com que o racismo seja mais fixo, mais difícil de combater. Além disso, o brasileiro acha sinceramente que o branco é melhor do que o não-branco. Temos uma percepção, consciente ou inconsciente, de um padrão branco de qualidade, um padrão branco de beleza, um padrão branco de sucesso. E os não-brancos, por acreditarem que isso é absoluto, tentam alcançar esses padrões, e a sociedade espera que esses não-brancos façam isso. Assim, os negros que conseguem conquistar condições para isso procuram embranquecer socialmente. O ser humano, quando pode, tenta obter as melhores coisas. O racismo está em achar que as melhores coisas são as brancas, as europeias, os olhos azuis, os cabelos lisos, as peles claras. No geral, as vítimas do racismo se tornam, também, racistas, mas em outro nível: elas são levadas a se odiarem e praticarem violência contra si mesmas, pelo motivo de não se encaixarem nos padrões brancos. Isso causa tristeza, como se ser negro e não conseguir mudar essa realidade fosse um fracasso. Qual é a diferença entre racismo e preconceito racial? A minha resposta: o que é preconceito racial senão o racismo tomando conta dos nossos julgamentos? Os brasileiros escondem tão ferozmente seu racismo que passam a acreditar de verdade que não são racistas. E já que "no Brasil não há racismo", os racialmente oprimidos não têm direito de reivindicar nada. Até os nossos livros de história nos levam a uma concepção errônea do não-branco na nossa sociedade. O negro e o índio foram os únicos/maiores formadores de riqueza desde 1500 até 1888. É uma contribuição muito maior do que aprendemos nas escolas. ---------------------------------------------------------- O livro "O que é Racismo", de Joel Rufino dos Santos, é um excelente guia para quem quer entender e discutir o assunto. Ao mesmo tempo que explica, ele abre a mente do leitor para querer mais explicações, mais opiniões, e para formar uma opinião. Isto é verdade: não dá pra ler esse livro e não sair com uma opinião, ou, para quem já a tinha, uma opinião implementada (no meu caso, também mais clara. Ou, em melhor termo, mais precisa).
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