Poucos anos atrás, seria um ato de enorme coragem declarar-se ateu e afirmar que as crenças religiosas não passam de ilusões infantis, um falso conforto contra a dura realidade do sofrimento e da morte. Mais que isso - afirmar que as religiões são maléficas e estão colocando em risco a civilização e a sobrevivência da humanidade.Mas é exatamente o que Sam Harris faz neste livro. Sem meias palavras, argumenta contra o suposto bem que as religiões exercem sobre o ser humano, contra a existência de um Deus onipotente e misericordioso, e contra o 'Design Inteligente', novo nome dado ao criacionismo pelos conservadores religiosos. Simples e bem escrito, o livro conquistou o grande público e ganhou também muitos inimigos. E não poderia deixar de ser - com uma lógica certeira, Sam Harris faz o que poucos têm a coragem de fazer - afirma que todas as religiões são irracionais, e que os devotos religiosos são um perigo para o futuro da ciência e para a sobrevivência da humanidade. Se você também está preocupado com o excesso de influência da religião na sociedade leiga, se é uma pessoa religiosa mas tem dúvidas quanto à verdade literal da Bíblia, ou se, simplesmente, aprecia o debate racional e uma argumentação bem apresentada, leia este livro. Seu modo de pensar nunca mais será o mesmo.
Carta a uma nação cristã -
HARRIS, SAM
A Implacável Ameaça do Cristianismo a Sobrevivência Humana
“O ateísmo não é uma filosofia; não é sequer uma visão do mundo; é simplesmente o reconhecimento do óbvio” 💙Para um grande amigo bookstan Clay Nobre. Eternamente grato por ter me apresentado essa obra-prima possibilitando-me de navegar em outros mares desconhecidos desse tema tão espinhoso e fascinante. Grande abraço! ✍🏽 “Carta Aberta a Uma Nação Cristã” é uma longa carta-resposta à infinidade de críticas que Harris recebeu após escrever seu primeiro livro: “A Morte da Fé”. O livro demonstra e desafia sem titubear a hipocrisia do cristianismo contemporâneo, apontando a incompatibilidade de crenças dogmáticas com visões científicas modernas e questionando o comportamento de ser uma pessoa de fé à luz de evidências contraditórias. Lutando contra o fervor religioso com sagacidade, sarcasmo e uma desenfreada honestidade, Harris combate o que ele vê como religiosidade tóxica ao assumir uma posição intransigente em favor da ciência, posicionando-se decisivamente contra a religião dogmática ilustrando as inconsistências lógicas que saturam o discurso religioso moderno e aquelas que ele vê como inerentes à literatura bíblica, apresentando, em última análise, a razão científica como a única alternativa viável. Eu não sou uma pessoa religiosa. Eu acredito que existe um deus, mas que eu controlo minhas próprias ações e destino. Cresci numa família extremamente católica e nunca precisei lutar para acreditar na sua fé. Mas, eu cresci estudei aprendi que existem outros caminhos de fé. E que existem outros milhões de possibilidades. E aprendi no curso de Filosofia a diferença entre religião e religiosidade, o que abriu meus olhos para o mundo do ateísmo. Exatamente por isso, acredito eu, que consegui acompanhar o raciocínio do autor. Foi muito interessante ler que ele combateu todas as convicções religiosas possíveis, até mesmo os cristãos progressistas, com argumentos consistentes e lógicos. Em sua visão, religiosos são tão culpados quanto seus equivalentes fundamentalistas por propagar doutrinas e crenças que não têm base factual na realidade. Além disso, ele desconstrói a própria natureza da crença religiosa. Consequentemente, Harris sugere que a doutrinação religiosa enfraquece a potencialidade de mentes capazes de pensar de outras formas, levando-as a acreditar em mitos e contos de fadas que carecem de evidências substanciais para apoiar suas alegações metafísicas ou morais. Dessa maneira, muitas pessoas apoiam visões religiosas que são irracionais e, às vezes, perigosas. Quando isso ocorre, o discurso teológico é aceito, de forma bastante acrítica, em vez de métodos científicos de investigação. Harris é rápido em notar que, sem influências de igrejas e propagadores da fé cega e absoluta no deus invisível, a maioria dos cristãos, e também a maioria das pessoas religiosas, rejeitariam sua fé da mesma maneira que rejeitam outras religiões do mundo. Aos olhos dele, essa aceitação cega é prejudicial à sociedade como um todo. Para apoiar sua alegação, ele usa como exemplificação o islamismo. Ele observa que a ampla maioria do público cristão considera as crenças dos muçulmanos absurdas. Dessa maneira, os cristãos, particularmente os estadunidenses, frequentemente falham em identificar o quão similarmente irracional é sua própria fé em comparação as atitudes dos ‘fiéis do islamismo’. Harris considera essa mentalidade perigosa precisamente porque ofusca os olhos do cristão ocidental da verdade com proposições que são baseadas em crenças não verificáveis. Os indivíduos se perdem em suas convicções religiosas e o dogma confina todas as conversas em torno da moralidade e do bem-estar humano a uma era antiga. O autor, que é formado em filosofia, religião e neurociência, afirma-se ateu, não somente porque condena brutalmente a crença cega em Deus, mas a simpatia por outros que acreditam nesse mesmo Deus invisível. Ele não apenas considera a religião enganosa e irracional, mas puramente má, como uma manifestação da pior malevolência conhecida pela humanidade. A postura ferrenhamente contrária do autor alerta que se a religião for permitida a conduzir nossas vidas, então toda a civilização será completamente erradicada. Logo, faz-se necessário se livrar completamente das superstições que têm prejudicado a mente e a racionalidade do homem por tanto tempo. Ele direciona seu ataque não apenas à religião em geral, mas particularmente ao cristianismo, os dogma católicos, que ele vê como a maior ameaça da América à razão, à ciência e à moralidade. Quando o li pela primeira vez (abril de 2023), fiquei fascinado e fui fisgado pelas palavras de Harris. Mas, agora que fiz uma releitura (julho 2024), o tempo provou que meu fascínio tinha razão de ser. Debater e dialogar sobre religião nos dias de hoje requer muita perspicácia e diplomacia, caso contrário, as vozes podem sair do controle e tudo virar um grande entrevero. Sobretudo, quando o autor e também seu leitor é reconhecidamente ateísta. Provavelmente a mais concisa e ponderada de todas as polêmicas ateístas que li. Não tem nada da arrogância que aparece em livros como ‘Deus, um delírio’, que abandonei pela metade do caminho porque me pareceu inútil continuar lendo e, em contrapartida, nesse livreto de menos de 100 páginas há lógica e discussão significativas. É uma leitura densa num texto breve, mas é o trabalho de um autor que tem absoluta confiança na investigação científica. Nestes tempos, é revigorante ler página após página de sanidade. O debate vai avançando inexoravelmente acerca do tema entre ateus e cristãos estadunidenses e de outros lugares do mundo ocidental para ajudar afastar as pessoas de seu vício em fanatismo religioso. Curto e conciso aborda os pontos certos sobre os lados problemáticos do fanatismo religioso e de dogmas católicos. Viver o básico da moralidade e decência humana, às vezes é muito mais humano do que confiar nas leis de alguns deuses. Harris lamenta a idiotice e a ignorância deliberada que os conflitos religiosos provocam e anseia por uma nova era de discurso e cognição esclarecidos, em que o fantasioso e sem sentido é substituído pelo científico e racional. Minha avaliação para esse livro, outrora foi de 5/5 ‘estrelinhas’. A nota permanece inalteradíssima. Sam Harris me deu algumas coisas para pensar, repensar e, sobretudo, voltar a este livro sempre que minha intelectualidade julgar necessário. Amém! ☭🇺🇸☕️📿📖⩜⃝🕰⌛️☭
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3.9 / 21- 5 estrelas48%
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