Solano constrói uma bela mitologia de fantasia para o mundo de Kurgala. Humanos e outras raças convivem, e estes seres fantásticos tem aparências peculiares, que faz você exercitar sua imaginação ao tentar visualizá-los. A narrativa é bem sinestésica e a ambientação bem produzida.
O reino de Kurgala é uma mistura de várias influências, pelo menos para mim, me lembra Conan, Animes, Games de RPG e Stephen King (?). Tudo culminando em sua própria mitologia. É uma história que poderia ser transcrita para qualquer mídia. Daria uma linda HQ, animação ou filme.
Em alguns momentos eu imaginava a estética do anime "Mononoke Hime", principalmente por causa da aparência de Enki' Nar.
Os personagens são carismáticos, mas o ponto forte é Adapak. Inocente, idealista e puro, acaba criando várias situações engraçadas, que também te faz refletir. Não tem como não sentir uma empatia por ele.
O ritmo de flashback e tempo real está bem dinâmico, sempre terminando com um gostinho de quero mais. A história se desenrola com muito mistério, o que te deixa intrigado para virar a página seguinte.
Com momentos tocantes que te fazem sorrir, e outros de ação, que me fez ter a mesma sensação ao ler Crônicas de Gelo e Fogo. Aquele momento que você pensa: Caraca, será que eu li direito?
Engraçada é a sensação de ler um livro do Solano, como sou ouvinte do MRG, você consegue sentir as opiniões dele. Senti isso claramente em um trecho que Adapak fala sobre sua opinião sobre torneios, que reflete a opinião do autor sobre o MMA.
E eu fiquei o tempo todo tentando descobrir quem era o Diogo e o Beto no livro, além de ver várias faces do Solano em Adapak.
Para mim, merece 4.5 robôs gigantes, tenho algumas ressalvas, mas pela experiência que me proporcionou, arrendondo para cima! =)
Contemporâneo e clássico ao mesmo tempo, vale a pena ser lido!