O utilitarismo – filosofia baseada no princípio da maior felicidade para o maior número de pessoas – exerceu enorme influência ao longo dos últimos dois séculos. O livro começa com um resumo do utilitarismo clássico dos séculos XVIII e XIX, enquanto os capítulos seguintes traçam a evolução dos temas centrais do pensamento utilitarista ao longo do século XX. Entre as questões abordadas estão: O que é a felicidade? É a felicidade a única coisa valiosa? Ocupa-se o utilitarismo dos atos, das normas ou das instituições? É o utilitarismo injusto, ou inadmissivelmente exigente, ou inviável? Qual poderá ser o futuro do utilitarismo?
Utilitarismo -
Tim Mulgan
Utilitarismo
Seis nadadores inocentes ficaram presos em duas rochas com o aumento da maré. Cinco dos nadadores estão em uma rocha, enquanto o último nadador está na segunda rocha. Cada um dos nadadores vai se afogar a menos que sejam resgatados. Você é o único salva-vidas de plantão. Você tem tempo para chegar a uma rocha no seu barco-patrulha e salvar a todos os que estiverem nela. Por causa da distância entre as rochas, e a velocidade da maré, você não pode chegar às duas rochas a tempo. O que você deveria fazer? (MULGAN, p. 127). Segundo o Utilitarismo o correto seria salvar os cincos nadadores ao invés de um. Mas por quê? Segundo o pensamento filosófico social do século XVIII denominado de Utilitarismo ou Princípio da utilidade a norma que deve determinar minhas ações deve ser aquela que promova maior felicidade ou ausência de dor. No caso dos nadadores, a lógica utilitarista defende que cinco nadadores vivos são mais felizes que um. Claro que o dilema moral dos nadadores traz implicações muito mais complexas do que uma mera escolha ou felicidade. E se fossem cinco pessoas más e uma boa? E se fosse cinco desconhecidos e um amigo ou familiar? Questões como essas nos levariam a questionar o próprio peso da vida, se tem vidas mais importantes ou menos importantes. Por essas e outras questões o Utilitarismo foi e é questionado sobre sua aplicabilidade como uma norma social universal, então para que estudar tal teoria? Segundo Mulgan, é perceptível a influência do Utilitarismo na sociedade, principalmente na política e na economia, e se quiséramos entender o mundo social precisamos compreender a tradição utilitarista. Logo seu objetivo neste livro é apresentar o utilitarismo como uma tradição viva, como oposto tanto a uma visão desatualizada de interesse meramente histórico ou a um conjunto não histórico de princípios abstratos. Em suas - páginas, o autor começa apresentando os primeiros passos do Utilitarismo com as ideias de William Paley (1743-1805), Jeremy Bentham (1748-1832) William Godwin (1756-1836). O primeiro deles Paley defendia um utilitarismo teísta, onde as ações deveriam buscar a melhor felicidade geral, pois seria isso a vontade de Deus; Godwin como associado aos políticos extremistas e ateus defendia um utilitarismo imparcial, sem obrigações especiais ou sentimentalismo; Bentham foi o mais famoso de todos e defendia que o princípio da utilidade deveria ser o principio da máxima felicidade, levando-o ao hedonismo onde o princípio moral serem determinados pelo prazer e dor. Outros dois Utilitaristas abordados foram Stuart Mill (1806-1873) e Henry Sidgwick (1838-1900). Outros pontos abordados na obra foram as provas utilizadas para justificar a teoria assim como provas de sua falseabilidade como norma universal. O livro expositivo é bem expositivo e de leitura intuitiva, os exemplos com os dilemas morais assim como o resumo ao final dos capítulos tornam o conteúdo mais compreensível. Como um livro introdutório a temática ele útil para entender consequências do tema abordado assim como suas implicações, tornando-o essencial para quem gosta da temática.
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