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    Jean-Christophe - Vol. 2 -

    Romain Rolland

    Globo
    2006
    544 páginas
    18h 8m
    ISBN-10: 8525041963
    Português Brasileiro
    4.4
    19 avaliações
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    'Jean-Christophe' é um conjunto de 10 romances que podem ser lidos separadamente - assim eles foram publicados em sua primeira edição. Ao longo de mais de 2.200 páginas, Romain Rolland desenvolve a biografia imaginária de Jean-Christophe Krafft, um gênio da música, do nascimento à morte, traçando um amplo quadro sócio-político da última metade do Século XIX, 'uma época de decomposição moral e social da França'. Personagem parcialmente baseado em Ludwig van Beethoven, de quem, aliás, Rolland escreveu uma biografia, Jean-Christophe é um herói criado para 'ver e julgar' a sua época, agindo não pelo pensamento ou pela força mas pelo coração. E, na verdade, Rolland vê e julga pelos olhos e palavras de seu alter ego, com comentários corajosos sobre música, artes plásticas, literatura, poesia e costumes.

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    Aline Serenato picture
    Aline Serenato25/01/2020Resenhou um livro
    0

    O segundo volume (A revolta, A feira na praça, Antoinette) concentra-se inegavelmente na música. Christophe então é um jovem decidido a fazer suas próprias composições e em vão adquirir espaço no meio musical. Sofrendo pelo conservadorismo esmagador de sua cidade, pela perda de amigos e familiares e pela ânsia de viver, Christophe deixa sua terra natal e parte em direção a França. Enquanto Hemingway na Paris dos anos 20 deixava, muitas vezes, de almoçar para ter dinheiro para beber, em um universo paralelo Christophe se privava da alimentação para poder assistir a concertos, já que nesse momento nos deparamos com um jovem sedento por música. Inegavelmente uma das partes mais interessantes da obra, A feira na praça lança uma enxurrada de críticas fervorosas e ácidas às artes plásticas francesas. Talvez o encontro com uma atriz francesa e a influência dos livros tenham criado em Christhophe a perspectiva de encontrar uma França artisticamente progressista e talvez por isso chocou-se ao se deparar com a Paris voluptuosa cujo meio intelectual estava saturado; de músicos preocupados apenas com a forma e obsecados com o novo, quase como uma arte experimental, de críticos indecisos cheios de opiniões insossas e de um público entediado. “O engraçado é que o público esforçava-se, por sua vez, a ler nos olhos da crítica o que era preciso pensar das obras. Assim os dois se olhavam, e não viam nos olhos um do outro senão a sua própria indecisão”. Naturalmente o personagem passa por situações relativamente cômicas por ser exagerado e até ingênuo perante as outras pessoas mas de forma alguma anula o romantismo deste Beethoven quixotesco. Livro de pouquíssimos diálogos, a narrativa é um percurso pela mente e sentimentos dos personagens, em que nenhum ator é inteiramente definido por uma única característica, Rolland não mascara a verdade do expectador. O leitor pode ter a sensação que nada acontece de fato e isso se dá pelo fato de às vezes páginas e páginas decorrerem apenas dentro do ser. E daí o autor infere reflexões sobre os Homens, não pátrias e povos, mas facetas do ser humano. Com pouca descrição de paisagens e muita sobre as pessoas, Rolland é o mestre dos adjetivos. Ao longo de mais de mil páginas o autor não coloca Christophe como um herói imutável e perfeito cujas resoluções são apuradas e precisas, pelo contrário, o autor não poupa sua própria criação de uma leve zombaria. As belíssimas páginas de Jean Christophe transcorrem como o passar das horas numa tarde de outono; o sol desaparece gradualmente e quando se nota já é noite. Quando se nota, Christophe cresceu. (2/3)

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    Romain Rolland

    Novelista, biógrafo e músico francês, ganhador do Nobel de Literatura de 1915. Romain doutorou-se em arte em 1895, foi professor de História da Arte na École Normale de Paris e professor de História da Música na Sorbonne. Para além da sua actividade docente, foi um reconhecido crítico de música. Estreou-se na escrita em 1897 com a peça Saint-Louis, que, juntamente com Aërt (1898) e Le Triomphe de la Raison (1899), fez parte da trilogia Les Tragedies de la Foi (1909). Em 1910 retirou-se do ensino para se dedicar inteiramente à escrita. Na sua obra concilia o idealismo patriótico com um internacionalismo humanista. Escreveu peças de teatro, biografias (Vie de Beethoven, 1903; Mahatma Gandhi, 1924), um manifesto pacifista (Au-dessus de la mêlée, 1915) e dois ciclos romanescos: Jean-Christophe (10 vols., 1904-1912), "roman-fleuve" (segundo as palavras do autor) consagrado a um músico genial, e L'Âme enchantée (7 vols., 1922-1934). Em 1923, fundou a revista Europe. Romain Rolland fez importante observação sobre o livro "O Futuro de uma Ilusão", de Sigmund Freud. Esta observação foi a premissa usada por Freud para escrever o livro seguinte "O Mal-estar na Civilização". Quando o filósofo político italiano Antonio Gramsci escreveu, na prisão, que o "pessimismo da inteligência" não deveria abalar o "otimismo da vontade", estava citando Romain Rolland.

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    8 Seguidores

    Romain Rolland