Li este durante uma fornada de pão de queijo.... eu tinha lá uns 17 anos, minha mãe foi visitar uma comadre dela em casa e me levou junto.
Enquanto elas batiam papo na cozinha e preparavam a massa de pão de queijo pra assar, eu vi esse livro na estante da casa, não resisti e comecei a ler pra ver se era bom...
A história me fisgou (sem trocadilhos intencionais com a historia de pescador, juro) de cara, a persistência daquele velho em não largar aquele peixe-espada, quando muitos já teriam desistido e partido pra outra (bem ao espírito de hoje, "se esforçar pra quê"), mas não... Santiago precisava continuar, era um jogo de forças, ele versus a natureza selvagem.... me apaixonei pelo livro e quando isso acontecia, lia muito rápido. Só com o tempo aprendi a postergar o prazer em sessões de leitura e não ler tudo de uma vez... como um amigo, que você adora e não quer que vá embora logo.
Pra mim é o melhor do Hemingway. Posso até apanhar por dizer isso, mas em geral acho o texto dele meio non sense demais ou solto demais, sei lá... este não. A historia é simples, mas intensa.
Quando acabei de ler, o pão de queijo estava pronto, quentinho delicioso; o contrário da luta fria, molhada e solitária que o protagonista tinha acabado de viver. O pão de queijo não tinha gosto de peixe, mas o mundo ficou mais largo pra mim e a quenturinha do pão de queijo, mais reconfortante. Aos 17 anos, ainda não tinha encontrado meu peixe-espada.