Manual de civilidade destinado às meninas para uso nas escolas -

    Pierre Louÿs

    Imaginário / Ícone
    2005
    109 páginas
    3h 38m
    ISBN-10: 8527408376
    Português Brasileiro

    Esta obra teve sua primeira publicação em 1927, dois anos após a morte do autor. Trata-se de uma paródia dos rigorosos e moralistas manuais de educação e boas maneiras utilizados na Belle Époque. Esta obra é um contundente ataque desferido contra as regras vigentes do puritanismo burguês. Trechos: Não diga: "Eu prefiro a língua ao pau." Diga: "Só gosto de prazeres delicados." Não diga: "É uma menina que se masturba até quase morrer." Diga: "É uma sentimental." Não diga: "É a maior puta da terra." Diga: "É a melhor menina do mundo." Não diga: "Ela deixa-se enrabar por todos aqueles que a masturbam." Diga: "Ela flerta um pouco." Não diga: "Ela é uma lésbica raivosa." Diga: "Ela não flerta de jeito nenhum." Não diga: "Eu a vi ser fodida pelos dois buracos." Diga: "É uma eclética." Nâo diga: "Ele fode muito bem as menininhas, mas não sabe enrabá-las." Diga: "É um simplório."

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    Israel Laurindo05/09/2010Resenhou um livro
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    Pierre Louis e o humor erótico

    O escritor belga Pierre Louis tem a temática voltada para a sexualidade, com uma atenção especial para o lesbianismo, fato que poderia ser explicado por sua estreita amizade com André Gide, um escritor francês ganhador do Nobel de literatura e defensor dos direitos dos homossexuais, cuja obra de maior importância é “O imoralista” de 1902. Louis, ao contrário do que é difundido geralmente, não tem o intuito de chocar, mas sim o de ironizar de forma explícita a sociedade parisiense. Por isso, o “Manual de Civilidade para Meninas” é basicamente um livro de humor simples, por isso mesmo não tem a pretensão de “grande literatura” ou de apresentar grandes idéias sociais e muito menos existenciais. Escrito com adornos e ornamentos estilísticos exagerados, o “Manual de Civilidade para Meninas” é apresentado com um estilo característico da Belle époque francesa, ás vezes em segunda pessoa e com palavras consideradas “tradicionalistas”, como se martelasse o tempo todo que o autor é dotado de cultura e conhecimento suficientes para discursar sobre qualquer tema em questão. Em contraponto a isto, para as metáforas ele utiliza analogias simbolistas (cujo estilo literário era de preferência real do autor) e uma veia satírica extremamente contemporânea que reflete as transformações culturais que passava a Europa no início do século XX.

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