Mantenha o Sistema -

    George Orwell

    Hemus
    1936
    257 páginas
    8h 34m
    ISBN-1: 0
    Português Brasileiro

    "Mais uma grande obra de George Orwell, o mesmo autor de 1984 e Revolução dos Bichos". Uma adaptação da Epístola aos Coríntios, I, Cap.XIII, em que o autor, substitui amor por dinheiro: se falo as línguas dos homens e dos anjos, mas não tenho dinheiro, sou como o bronze que soa ou como o címbalo que tine. E se tenho o dom da profecia, conheço todos os mistérios e toda a ciência, se tenho toda a fé, de modo a transportar montanhas, mas não tenho dinheiro, nada sou. Ainda que distribua todos os meus bens em sustento dos pobres e entregue meu corpo para ser queimado, se não tiver dinheiro, isto de nada me aproveita. O dinheiro é longânime e bondoso; não é invejoso; não é arrogante, nem se ensobeberce, não faz o que é incoveniente, não busca o seu interesse, não se irrita, não toma em conta a ofensa; não tem prazer na injustiça, mas se alegra com a verdade; ele tudo perdoa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta...ora permanece a fé, a esperança e o dinheiro, estes três: mas o maior deles é o dinheiro.

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    Daniel Accioly Gonçalves18/07/2009Resenhou um livro
    4 (Muito bom)

    Parar, observar, pensar

    Este livro, não tão conhecido como os grandes clássicos de Orwell, possui tantos méritos quanto estes. A história de Gordon Comstock tem como problema fundamental o relacionamento dos questionadores com o sistema estabelecido. Há uma crítica tanto aos valores capitalistas quanto à sociedade aristocrática inglesa. Entretanto, a questão fundamental da obra é: como se relacionar com um sistema que você renega? Como proceder numa sociedade de cujos valores você não compartilha? Este livro mostra a grande armadilha em que caem aqueles que renegam completamente o sistema. Gordon abandona uma carreira promissora e se recusa a ser mais um na corrida pelo dinheiro, abraçando uma vida frugal e dedicada à poesia. Gordon quer escrever uma obra prima, mas é constantemente incomodado com os problemas causados pela falta de dinheiro. Também suas vidas social e amorosa não podem se desenrolar plenamente devido à falta de dinheiro, a qual se torna uma paranóia para o protagonista, causa de todos os males da sua vida. A atitude de Gordon o leva apenas a um estado de depressão, apatia e melancolia crônicas. Qual seria a resposta? Seria esta a efetiva renegação daquela sociedade? Orwell mostra como os indivíduos “alternativos” podem ser os maiores escravos da sociedade ao agirem necessariamente de forma contrária aos padrões esperados. A diferença, tratada como um dogma, atinge rapidamente contornos vazios para esses “escravos às avessas”, tornando-se estéril e esterilizando seu portador. A obra deixa em aberto como atuar diante do triunfo do consumismo e do materialismo de uma sociedade que nos esmaga. Por outro lado, nos mostra algumas armadilhas deste desafio. Acima de tudo, nos faz pensar.

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